Mesmo com níveis acima da média histórica, rios da bacia amazônica mantêm comportamento esperado para o período; cenário varia entre regiões e exige atenção em áreas críticas
Rios da bacia amazônica seguem em elevação moderada, com impacto variando entre as regiões do estado (Arquivo AC)
Os rios da bacia amazônica, principalmente nas regiões do Alto Solimões, Purus e Juruá, estão com níveis acima da média histórica, mas ainda dentro do esperado para esta época do ano. É o que aponta o último boletim divulgado pelo Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim/UEA) nesta semana.
Mas como explicar que o nível do rio está acima da média, mesmo que, para quem acompanha a régua, ainda esteja dentro da “normalidade”? Para o doutor em Meteorologia do LabClim/UEA, o meteorologista Leonardo Vergasta, isso não é contradição.
Segundo o meteorologista, nas calhas do Alto Solimões e em regiões do sudoeste, como o Juruá e o Purus, o nível dos rios permanece acima da média não por conta das chuvas recentes, mas devido às fortes chuvas que caíram entre novembro e janeiro, durante a maior influência do fenômeno La Niña. Entre fevereiro e março, porém, as chuvas diminuíram e a subida dos rios desacelerou. Mesmo assim, continua em nível alto por conta desse acúmulo anterior.
Em Manaus, o nível do Rio Negro está em 2.480 cm, ligeiramente acima da média histórica, segundo o boletim, com subidas moderadas e dentro do esperado para o período de cheia. Segundo Vergasta, o Solimões com cota acima da média influencia diretamente o nível do Rio Negro em Manaus, pois age como uma barreira natural, retardando a descida do Rio Negro e fazendo seu nível subir mesmo sem chuvas recentes.
De acordo com o boletim do LabClim e dados da Defesa Civil do Amazonas, o cenário atual exige atenção diferente em cada região do estado, já que o comportamento da cheia varia entre as calhas.
As áreas mais críticas no momento são o Juruá e o Alto Solimões. Municípios como Envira, Guajará, Ipixuna, Juruá, São Paulo de Olivença e Tonantins estão em alerta. Já Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, Tabatinga, Carauari, Eirunepé e Itamarati enfrentam situação de emergência.
No Purus, cidades como Boca do Acre, Canutama, Lábrea, Pauini e Tapauá também estão em emergência. Beruri segue em atenção. No Médio Solimões, municípios como Alvarães, Coari, Fonte Boa, Japurá, Jutaí, Maraã, Tefé e Uarini permanecem em atenção. Nessas áreas, os níveis dos rios já exigem preparo das defesas civis.
Já na calha do Madeira, municípios como Apuí, Borba, Humaitá, Manicoré, Nova Olinda do Norte e Novo Aripuanã permanecem em atenção. Regiões como o Rio Negro, incluindo Manaus, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, seguem dentro da normalidade. O mesmo ocorre no Baixo Solimões e no Médio e Baixo Amazonas.
Leonardo ressalta que, mesmo em locais considerados tecnicamente dentro do esperado, como Tabatinga (1.130 cm) e Fonte Boa (1.797), os níveis já ultrapassaram as cotas de atenção. Isso mantém a necessidade de vigilância, diante dos impactos que começam a atingir comunidades e estruturas locais.
Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, Tabatinga, Carauari, Eirunepé, Itamarati, Boca do Acre, Canutama, Lábrea, Pauini e Tapauá
Envira, Guajará, Ipixuna, Juruá, São Paulo de Olivença, Tonantins
Beruri, Alvarães, Coari, Fonte Boa, Japurá, Jutaí, Maraã, Tefé, Uarini, Apuí, Borba, Humaitá, Manicoré, Nova Olinda do Norte e Novo Aripuanã
Manaus, Barcelos, São Gabriel da Cachoeira, Baixo Solimões e Médio e Baixo Amazonas