Previsão do LabClim-UEA indica maior volume de chuvas entre janeiro e março, com reflexos nos rios do AM
Manaus registra cenário típico de inverno amazônico, com volumes expressivos de chuvas’ (Junio Matos)
As chuvas devem continuar acima da média no Amazonas nos próximos meses. A previsão é do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA), que apontou maior chance de chuvas acima do normal entre os meses de janeiro, fevereiro e março.
De acordo com o boletim divulgado pelo LabClim no início da semana, grande parte do Amazonas deve registrar mais chuva do que o esperado para o período, incluindo as bacias dos rios Negro, Solimões, Javari, Jutaí, Juruá e Purus. Já a porção leste da bacia Amazônica, que abrange o leste do Amazonas e grande parte do Pará, deve ter chuvas abaixo da média, segundo o boletim.
O meteorologista do LabClim-UEA, Leonardo Vergasta, explica que a previsão realizada pelo laboratório indica uma tendência geral de chuvas acima da média, mas não permite prever, por exemplo, dias ou horários de temporais mais fortes.
Para Manaus, segundo o boletim, a expectativa é de acumulados de chuvas expressivos, típicos do período mais chuvoso do ano. Vergasta explica que janeiro, fevereiro e março já são historicamente meses chuvosos na capital amazonense, e mesmo que as chuvas ocorram de forma isolada em alguns períodos, ele destaca que poucos episódios de chuva mais forte podem fazer o volume do mês passar da média.
O comportamento do período chuvoso e a sua influência no nível dos rios na bacia do Amazonas foram registrados no 2º Boletim Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), divulgado na terça-feira (13). Os dados indicam que o Solimões teve uma recuperação considerada relevante na última semana, quando ocorreu a coleta das informações. O rio subiu um metro, em Tabatinga, mesmo depois de um período marcado por forte descida nos níveis.
Em outras bases de coleta o resultado mostrou um leve recuo, como é o caso de Itapéua, que desceu 27 centímetros. Destaca-se que mesmo assim não há nada fora da normalidade uma vez que essa descida é vista como uma resposta hidrológica da redução no alto da bacia. Para as próximas coletas, a expectativa é que a recuperação de Tabatinga seja vista nas demais estações da calha do Solimões.
Como esse rio é um dos principais componentes para o Negro, em Manaus, a estabilidade na cidade mais populosa do Amazonas pode ser explicada pelo contexto de recuperação. Na sexta-feira (16), o nível oficial do curso d’água (medido pelo Porto da capital) indicava 22,05 metros. Segundo o boletim, a métrica ficou em oscilação, mas o saldo é positivo em dois centímetros.
Dados da Defesa Civil de Manaus reforçam o cenário de atenção durante o período chuvoso. Em dezembro, o número de alertas aumentou para 64. As chuvas intensas continuaram liderando as ocorrências, com 31 registros, seguidas por corridas de massa de solo ou lama (17), alagamentos (14) e enxurradas (2). No mês, 23 alertas foram considerados de severidade moderada, 20 de alta e 21 de muito alta.
Já em janeiro deste ano, até o dia 9, a Defesa Civil contabilizou 14 alertas, sendo 11 por chuvas intensas, dois por alagamentos e um por enxurrada. Do total, oito foram classificados como de alta severidade e seis como moderados. Segundo o meteorologista da Defesa Civil do município, Fábio Nunes, os dados refletem o comportamento esperado para o período chuvoso em Manaus.