CINEMA INDÍGENA

Documentário sobre povo Marubo, do Amazonas, concorre em festival de cinema nos EUA

'O Vento Vai Reagir' integra a competição do Seattle Latino Film Festival e retrata o reencontro de duas antropólogas em uma aldeia no Vale do Javari

acritica.com
09/10/2026 às 16:02.
Atualizado em 09/10/2026 às 16:02

Cena de 'O Vento Vai Reagir' (Foto: Diazul de Cinema/Divulgação)

A cultura do povo indígena Marubo, do Vale do Javari, no interior do Amazonas, é tema do documentário brasileiro “O Vento Vai Reagir”, selecionado para a competição oficial da 18ª edição do Seattle Latino Film Festival, nos Estados Unidos, realizado de 9 a 17 de outubro. Dirigido por Delvair Montagner e Marcelo Díaz, o longa acompanha o reencontro de duas antropólogas, uma delas indígena, durante uma viagem a uma aldeia localizada a dois dias de barco de Atalaia do Norte, no interior do estado.

No filme, Varῖ Mëma, mulher indígena e antropóloga, vive um conflito. Deixou de ser vista como uma Marubo pelos parentes. No mundo acadêmico ela se vê como "alguém de fora". Qual será seu lugar? Delvair, antropóloga que acompanhou seu nascimento na década de 1970, busca reconectar-se com ela e com as memórias de uma Amazônia que não existe mais.

"Como mulher Marubo, carrego comigo a força, a memória e a sabedoria do meu povo. Este filme mostra ao mundo a riqueza da nossa cultura, da nossa cosmologia e da nossa maneira de viver, mas também traz um alerta: nossa cultura precisa ser cuidada, fortalecida e valorizada", destaca Varī Mëma, que protagoniza o filme junto com Delvair, enquanto colabora no roteiro. "Levar este filme para os EUA é levar um pouco da nossa voz e da nossa história e, principalmente, dar visibilidade às mulheres Marubo como preservadoras e transmissoras de conhecimentos e de educação, que muitas vezes permanecem invisíveis no mundo dos nawarasin (dos brancos)", complementa.

Cena de 'O Vento Vai Reagir'

A obra narra o reencontro de duas antropólogas de identidades distintas, Delvair e Varῖ, unidas pela cultura indígena Marubo. Juntas viajam à aldeia de Varῖ, a dois dias de barco de Atalaia do Norte (AM), e encontram uma Amazônia degradada, especialmente em termos culturais. Delvair também atua como diretora e roteirista (funções divididas com Marcelo Díaz).

Cena de 'O Vento Vai Reagir'

O choque é profundo: o ambiente está esvaziado e desconectado das tradições. O filme alterna entre naturalismo e melancolia, cruzando passado e presente sem entrevistas, apenas por meio de memórias e encontros entre os mundos indígena e não indígena. As memórias das duas antropólogas são matéria-prima para uma narrativa que oscila entre passado e presente de ambas, de forma não linear.

Varῖ Mëma (45), doutora em Antropologia pela UFRJ, foi incumbida pelas mulheres de seu povo de pesquisar e preservar sua cultura. Criada entre indígenas e não indígenas, busca entender sua própria identidade. Já Delvair Montagner (81) atua na região desde os anos 1970. É reconhecida por registrar os Marubo em seus documentários e fotografias e por identificar a Terra Indígena Vale do Javari, que levou à sua demarcação.

Cena de 'O Vento Vai Reagir'

O longa-metragem tem produção da Diazul de Cinema e produção executiva de  Marcelo Díaz. No ano passado, o filme foi contemplado com cinco prêmios no SAPCINE (Colômbia), que garantem serviços de pós-produção voltados ao mercado internacional, consultoria de impacto e a assessoria de mídia do Latam Cinema.

"O Vento Vai Reagir" tem o patrocínio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura do DF, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal - SECEC).

Sobre Diazul de Cinema

Produtora brasiliense fundada em 2005, reconhecida por obras que mesclam forte identidade artística e impacto social, com conteúdos para cinema, TV e streaming a partir de um olhar multicultural do coração do Brasil. 

Ao final de 2020 lançou nos cinemas o longa "Maria Luiza", com a 1ª trans das Forças Armadas brasileiras, que ficou quatro semanas em cartaz e ocupou mais de 15 plataformas nacionais e internacionais e canais de TV. O filme estreou no É TUDO VERDADE e percorreu diversos festivais na França, Holanda, México, Argentina, EUA, Suíça, Colômbia, Peru, Áustria, Sérvia e Brasil. Foi premiado como Melhor Documentário Internacional no Humano Human Rights Film Festival/México, Menção Honrosa no LIFFY (Yale/EUA) e Melhor Documentário no Merlinka Queer FF (Sérvia). A obra foi também reconhecida como caso de estudo de impacto através do cinema.

Cena de 'O Vento Vai Reagir'

Realizou os documentários "Terra de Luz" (2016), "Restrutural" (2014); "Galeno, Curumim Arteiro" (2009, DOCTV), Oficina Perdiz (2006, Melhor Curta do DF no Fest de Brasília, Prêmio Público no Fest de Curtas de SP; mais de 30 festivais como Havana, Milão, Sydney Latin American, Brazilian FF Miami, Brazilian FF Toronto e Gramado), e "De Esperança e Espera" (2003)

No gênero ficção, prodiu o curta "Extrusos" (2004), co-produziu o curta "Desdobráveis" (2013, Melhor Roteiro no CineMube/SP, exibido em festivais na Argentina, Colômbia, Chile, México, Brasil, EUA, Espanha) e o filme-espetáculo "Aquilo que Não Podem Demolir Enquanto Eu Puder Falar" (2020) com a Cia. Teatro do Concreto (Festival Cena Contemporânea 2020).

Cena de 'O Vento Vai Reagir'

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