EM CENA

Festival de Teatro da Amazônia inicia 20ª edição em Manaus

Evento ocorre de 27 de setembro a 11 de outubro com espetáculos, oficinas, encontros e debates em diferentes espaços da capital

Luyza Rodrigues
27/09/2026 às 14:43.
Atualizado em 27/09/2026 às 14:43

Entre encontros, novas vozes e diferentes formas de fazer teatro, começa a 20ª edição do Festival de Teatro da Amazônia (FTA), referência das artes cênicas na Região Norte. Realizado entre os dias 27 de setembro e 11 de outubro de 2026, o festival ocupa teatros, praças, ruas e espaços alternativos de Manaus, reunindo uma programação que reafirma a valorização da produção teatral do Amazonas e da Amazônia e cria pontes com artistas de outras regiões do Brasil e da América Latina.

Com o tema “Confluências Cênicas”, inspirado no encontro das águas dos rios Negro e Solimões, o festival propõe um território de encontros entre artistas, grupos, coletivos, estudantes, pesquisadores, instituições e público. A imagem dos rios que se encontram sem perder suas características próprias orienta uma edição marcada pela diversidade de linguagens, trajetórias e formas de criação.

Entre os espetáculos que integram a programação estão “Carta aos Meus Ossos”, “Aaarg! Piratas”, “Erenilda”, “A Grande Viagem” e “Antígona Travesti”, entre outras produções que compõem a agenda desta 20ª edição.

Para a vice-diretora da Federação de Teatro do Amazonas (FETAM), Jackeline Monteiro, a edição marca um novo momento do festival, com iniciativas que ampliam seus espaços e públicos. Entre as novidades estão o Circuito Confluências e a mostra Confluências, voltada a artistas iniciantes e espetáculos ainda não estreados.

“O 20º Festival de Teatro da Amazônia reafirma seu compromisso com a valorização, circulação e visibilidade das artes cênicas produzidas no Amazonas e na Amazônia. Nesta edição, o tema ‘Confluências Cênicas’ traduz o desejo de criar um território de encontros entre diferentes artistas e trajetórias. Uma das novidades é o Circuito Confluências, que reúne espetáculos, ensaios abertos, oficinas e encontros. Também temos a mostra Confluências, voltada para artistas iniciantes ou espetáculos ainda não estreados, além da ampliação das ações para periferias e interiores do Amazonas. Esta edição também tem um significado histórico por ser a primeira realizada sob uma diretoria executiva inteiramente feminina na FETAM”, relata.

Mais do que colocar espetáculos em cartaz, o festival busca movimentar a cadeia cultural que existe por trás do palco. Artistas, técnicos, produtores, educadores, pesquisadores e estudantes também fazem parte desse circuito, que amplia as possibilidades de circulação e intercâmbio da produção amazônica.

A proposta, segundo Jackeline, é reforçar a ideia de que o teatro produzido na região não deve ser visto apenas como representação da Amazônia, mas como uma produção capaz de elaborar pensamentos, narrativas e linguagens próprias.

“O Festival é, antes de tudo, um espaço de encontro, circulação e visibilidade. A Amazônia não ocupa apenas o lugar de cenário ou temática; ela é território produtor de pensamento, conhecimento, dramaturgias e diferentes teatralidades. Ao aproximar grupos do Amazonas e da região Norte de produções de outros lugares do Brasil e da América Latina, fortalecemos intercâmbios, formação e novas redes. Também buscamos conectar diferentes zonas de Manaus e iniciativas do interior, porque quanto mais esses territórios se reconhecem e se conectam, mais fortalecida se torna a produção cultural amazônica”, conta.

A programação desta 20ª edição foi construída para ir além das apresentações. As tradicionais Mostras Jurupari, Chico Cardoso e Ednelza Sahdo permanecem no festival, enquanto as Confluências Cênicas ampliam os formatos com oficinas, encontros, ensaios abertos e debates.

A seleção dos espetáculos inscritos ficou sob responsabilidade de uma curadoria convidada, que considerou aspectos artísticos, técnicos e conceituais, além da diversidade de linguagens e poéticas.

“A programação foi pensada a partir da ideia de que um festival não se constitui somente pela apresentação de espetáculos. Mantemos as tradicionais Mostras Jurupari, Chico Cardoso e Ednelza Sahdo, mas ampliamos a programação com oficinas, encontros, ensaios abertos e debates. A curadoria considerou a diversidade das propostas e diferentes linguagens e poéticas. Queremos que artistas e público possam assistir, experimentar, conversar e trocar conhecimentos, fazendo com que essas conexões continuem para além dos dias do evento”, destaca.

Chegar à 20ª edição também coloca o festival diante de uma trajetória construída por diferentes gerações do teatro amazonense. Por isso, a expectativa da organização não se resume à quantidade de espectadores, mas à capacidade de aproximar novos públicos das artes cênicas e fortalecer redes que permaneçam depois do encerramento.

Entre crianças, jovens, estudantes, pesquisadores, artistas e espectadores que já acompanham a cena local, a intenção é ampliar os encontros e fazer com que o festival também funcione como porta de entrada para quem ainda não teve contato com o teatro.

“Por se tratar da 20ª edição, existe uma expectativa muito especial, porque estamos falando de uma trajetória construída por muitas mãos e gerações. Mais do que pensar o público somente em números, queremos aproximar o Festival das pessoas e formar novos públicos. O legado que buscamos deixar é o fortalecimento dessas redes, para que permaneçam os encontros, as parcerias, as trocas de conhecimento e os novos projetos. ‘Confluências Cênicas’ também fala sobre isso: águas que se encontram não saem desse encontro exatamente como chegaram. Esperamos que o Festival seja esse lugar de passagem e permanência, celebrando nossa história e abrindo espaço para aquilo que ainda podemos inventar coletivamente”, pontua.

Assim, o Festival de Teatro da Amazônia chega às duas décadas olhando para a própria história sem deixar de projetar os próximos encontros. Entre espetáculos, formação e circulação, a proposta é fazer das artes cênicas um território onde diferentes caminhos possam se cruzar e continuar em movimento.

SERVIÇO

20º Festival de Teatro da Amazônia

Quando: 27 de setembro a 11 de outubro de 2026

Onde: Teatros, praças, ruas e espaços alternativos de Manaus

Programação: consultar através do perfil @fetam.teatro

Realização: Federação de Teatro do Amazonas (FETAM)

FOTOS: Aline Fidelix

ATUAL DIRETORIA DA FETAM: Daniely Peinado, presidente; Jackeline Monteiro, vice-presidente; Ananda Guimarães, tesoureira; e Rio Manfredini, secretária.

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