“Lama” (2017), da série “Elementar”, agora faz parte da coleção do Museu de Arte de São Paulo
“Lama”, Uýra, 2017. Série Elementar (Foto: Keila Sankofa/Divulgação)
Em 2017, Uýra entrou nas águas da Lagoa Azul, em Presidente Figueiredo, para criar "Lama". Produzida em parceria com a artista Keila-Sankofa, a fotoperformance passa a integrar permanentemente o acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), depois de circular por exposições no Brasil e no exterior.
Parte da série Elementar, a obra já esteve na 34ª Bienal de São Paulo, em 2021, e na exposição Histórias LGBTQIA+, no próprio MASP, em 2024. Em 2025, integrou Wametisé: ideias para um amazofuturismo, na ARCOmadrid. A incorporação à coleção foi articulada pela Aura Galeria, responsável pela representação comercial do trabalho de Uýra.
A obra
Na fotografia, Uýra emerge das águas coberta de lama, em uma imagem que aproxima corpo e paisagem. A relação entre diferentes formas de existência também atravessa sua pesquisa artística, construída a partir de experiências como bióloga, mestra em Ecologia da Amazônia e artista visual indígena contemporânea.
Para ela, a entrada no acervo representa um reconhecimento importante, mas também traz à tona a presença das Amazônias no sistema das artes.
“Eu poderia dizer que significa alcançar o reconhecimento máximo de relevância histórica, cultural e estética, validando minha trajetória no circuito oficial da arte, afinal, trata-se da maior coleção do Hemisfério Sul. No entanto, prefiro dizer que tudo isto ainda é pouco, pois as Amazônias ainda estão pouco presentes nesta Coleção, e também no sistema da Arte geral, um mundo que segue nas mãos do Sudeste brasileiro, para o qual o Norte parece sempre distante demais”.
Uýra também destaca a conservação e a pesquisa que passam a acompanhar a obra.
“De todo modo, celebro, pois a entrada de minha obra no MASP, uma obra construída com Keila-Sankofa, reduz as distâncias entre estes mundos, e aproxima as Amazônias de um lugar mais digno, real e vibrante. Além disto, conto com a conservação museológica adequada e estudo acadêmico contínuo desta produção, e com sua inserção em conversas plurais sobre as identidades culturais do Brasil e do mundo”.
“Lama” já passou por mais de 35 exposições. A trajetória da artista também inclui obras presentes em acervos como os da Pinacoteca de São Paulo, Instituto PIPA, Castello di Rivoli, na Itália, Institute for Studies on Latin American Art (ISLAA), Currier Museum of Art e Los Angeles County Museum of Art (LACMA), nos Estados Unidos.
ojetos
Nos próximos meses, a artista conduz formações artísticas e apresenta performances em Fortaleza e Sorocaba, além de participar de uma residência no Chão, em São Luís (MA). Também segue com um projeto realizado com o Instituto Moreira Salles, contemplado pela Bolsa ZUM 2026.
Uýra, artista visual indígena contemporânea, cuja obra “Lama” agora integra o acervo permanente do MASP.
Para 2027, estão previstas atividades no The World Forestry Center, nos Estados Unidos, e no Kew Gardens, na Inglaterra.