Mostra relembra a vida do irlandês responsável por denunciar violações de direitos humanos contra povos indígenas
A mostra foi trazida pela Embaixada da Irlanda, com apoio da Prefeitura de Manaus e da Manauscult (Divulgação)
O Museu da Cidade de Manaus (Rua Gabriel Salgado, Centro) está recebendo, desde o último dia 3, a exposição “Roger Casement: Amazônia em Foco”, um retrospecto da história de um dos grandes nomes do ativismo humanitário mundial, Roger David Casement.
Durante estadia no Brasil e na Região Amazônica, ele foi responsável por denunciar um dos momentos mais violentos do ciclo da borracha, que incluía violações de direitos humanos contra povos indígenas.
A mostra foi trazida pela Embaixada da Irlanda, com apoio da Prefeitura de Manaus e da Manauscult. Com curadoria de Angus Mitchell, Laura Izarra e Mariana Bolfarine, e direção de arte e design gráfico de Alex Navar, a exposição é de longa duração.
De acordo com Leonardo Novellino, diretor do Museu da Cidade de Manaus, em um momento em que o mundo passa por desafios e atribulações, lembrar de grandes feitos de heróis que norteiam os passos da humanidade é muito importante.
Ele destaca que a história e o passado servem como bússola para consolidar passos mais seguros e certos no presente e no futuro.
Para o diretor, a luta de Casement, que entre 1906 e 1913 foi cônsul britânico em Santos e Belém do Pará, e cônsul-geral no Rio de Janeiro, não foi em vão. Seu posicionamento e testemunho ajudaram a construir uma página triste na época da borracha, mas que serviu como documento histórico e um lembrete do que nunca deveria ter acontecido.
A exposição possui curadoria de Angus Mitchell, Laura Izarra e Mariana Bolfarine, e direção de arte e design gráfico de Alex Navar
A mostra traz uma trajetória de caráter internacional. Sua estreia aconteceu no Museu Amazônico de Manaus, em 2010, recebendo o título “Roger Casement no Brasil: A Borracha, a Amazônia e o Mundo Atlântico (1884–1916)”, e foi apresentada em três idiomas (português, inglês e espanhol).
Em seguida, foi exibida em São Paulo, em 2011. Desde então, teve outras edições em Maputo (2013), Brasília (2016), Buenos Aires e Peru (2016), além de University College Cork (2024) e Brasília (2025). A montagem atual, em Manaus, marca a 7ª edição, especialmente adaptada e criada para o museu.
A nova exposição é formada por 16 painéis de vidro temáticos que incluem uma combinação de fotografias e informações peculiares. As imagens são de diferentes autores, com destaque para registros de documentos ligados a Casement e suas missões na região, incluindo também fotos históricas de Silvino Santos.
Os painéis apresentam de maneira clara e acessível os principais acontecimentos de sua vida, como missões diplomáticas e contribuições humanitárias, proporcionando ao público uma visão visual coesa de sua trajetória e de seu impacto histórico.
De acordo com o embaixador em exercício da Irlanda, Maurice Nolan, o diário e anotações de experiências realizadas com precisão por Roger Casement durante suas viagens pela Amazônia tornaram os registros e fotografias deixados pelo irlandês documentos de estudo fundamentais para pesquisadores da comunidade internacional.
Nascido em Sandycove, Dublin, no dia 1º de setembro de 1864, Roger David Casement ficou órfão ainda na adolescência, período em que foi levado para a Irlanda do Norte, onde também concluiu os estudos. Na mesma época, mudou-se para Liverpool, Inglaterra, onde ingressou na Companhia Mercante Elder Dempster, fase em que foi transferido para a África Portuguesa.
Tornou-se agente colonial da Associação Internacional do Rei Leopoldo II da Bélgica e cônsul britânico na África Portuguesa e no Congo, entre outros feitos.
Ali, sua história estava apenas começando, pois ele se transformaria em um dos grandes nomes do ativismo humanitário mundial. Durante sua estadia no Brasil e na região amazônica, ele denunciou um dos momentos mais violentos do ciclo da borracha, que incluía violações de direitos humanos contra povos indígenas.
A vida do irlandês que manteve forte relação com a Amazônia serviu de inspiração para a criação de diversas obras, como peças de teatro; “As Duas Mortes de Roger Casement”, do diretor Domingos Nunez; o documentário “Segredos do Putumayo”, dirigido por Aurélio Micheles; e o livro “Roger Casement no Brasil: A Borracha, a Amazônia e o Mundo no Atlântico”, de Angus Mitchell.