Mesmo não sendo o clube que mais vezes disputou a quarta divisão nacional, o Leão da Vila Municipal deu fim a um incômodo recorde: o participante que mais vezes disputou a competição até conquistar o acesso
Leão da Vila Municipal participou da primeira edição da quarta divisão em 2009 e, desde então, acumulou doloridas eliminações até este ano, quando através da repescagem, conquistou o tão sonhado acesso à Série C do Brasileirão (Foto: Divulgação)
Foram necessárias nove participações em 18 edições do Campeonato Brasileiro - Série D, mas enfim o Nacional Futebol Clube conquistou a classificação à Série C. Mesmo não sendo o clube que mais vezes disputou a quarta divisão nacional - recorde que pertence ao Central (PE), que disputou 13 edições -, o Leão da Vila Municipal deu fim a um incômodo recorde: o participante que mais vezes disputou a competição até conquistar o acesso, ao lado de Aparecidense (GO) e Campinense (PB).
Porém, a espera do Nacional é maior comparada a dos outros dois clubes. Isto porque a Série D começou a ser disputada em 2009 e, na primeira edição, o clube azulino já era participante, enquanto Aparecidense e Campinense participaram pela primeira vez na edição de 2012. Ao todo, o Naça realizou 86 jogos na quarta divisão ao longo destes 17 anos, somando 38 vitórias, 18 empates e 30 derrotas, além de 125 gols marcados e 102 sofridos.
Falar do Nacional na Série D é como falar da própria competição, que passou por várias mudanças até chegar ao modelo disputado este ano. Se hoje o torneio é disputado por 96 clubes, em 2009, 40 estavam aptos a disputar - sendo 39 participantes. Na época, cada um dos dez grupos foram divididos com quatro equipes, mas justamente o do clube amazonense ficou com um time a menos, pois nenhum clube do Acre aceitou participar, alegando problemas financeiros.
Na primeira fase, liderança garantida com três vitórias e uma derrota, mas logo no primeiro mata-mata, veio a maior derrota do clube na história da competição. No jogo de ida contra o Cristal (AP), empate em 1 a 1 em Macapá. Na volta, com mais de 3 mil presentes no antigo Vivaldão, o Nacional comandado por Aderbal Lana fez um grande primeiro tempo, abrindo 2 a 0 no placar, porém, o Cristal conseguiu uma virada impressionante, fechando a partida em um histórico 5 a 2.
Em 2011, o Nacional não disputaria a competição, mas uma vaga extra foi herdada pela Federação Amazonense de Futebol (FAF), após a Federação Roraimense não indicar representantes. Como o regulamento do Barezão não previa um destino certo para a vaga, houve uma disputa entre o Fast Clube, vice-campeão estadual em 2010, e o Nacional, que acabou escolhido pela FAF por ser o melhor posicionado no Ranking Nacional de Clubes da época. Porém, em campo, a campanha foi desastrosa, com o Leão caindo na primeira fase.
Dois anos depois, o clube azulino fez uma temporada que parecia ser fantástica, já que na Copa do Brasil, a equipe parou somente nas oitavas de final, eliminando Coritiba (2ª fase) e Ponte Preta (3ª fase), dois clubes que estavam na Série A. Porém, na Série D, o Nacional acabou caindo nas oitavas para o Salgueiro (PE) - que também alcançou as oitavas da Copa do Brasil em 2013 -, por conta de um critério que não existe mais: o gol marcado fora de casa. Na ida, empate em 0 a 0, enquanto na volta, disputada no SESI - Clube do Trabalhador, empate em 2 a 2.
Em 2015 e 2016, foram duas eliminações consecutivas na primeira fase, com a queda de 2016 tendo um roteiro cruel. No ano em questão, a Série D passou a ser disputada por 68 clubes, divididos em 17 grupos. Os 17 primeiros e os 15 melhores segundos colocados avançavam de fase, ou seja: apenas os dois piores segundos colocados ficavam pelo caminho, e foi exatamente o que aconteceu com o Nacional.
Na última rodada, o clube abriu 2 a 0 sobre o Genus (RO), mas levou um gol aos 36 minutos do segundo tempo e venceu por 2 a 1, ficando em segundo lugar do Grupo 1 com 8 pontos e nenhum gol de saldo. O Naça estava se classificando, mas com um gol marcado aos 48 minutos do segundo tempo, o Espírito Santo venceu a Caldense (MG) fora de casa e, em segundo lugar do Grupo 13 com 8 pontos e um gol de saldo, deixou o Nacional com a segunda pior campanha entre os segundos colocados, sendo eliminado.
No ano de 2018, com a mesma fórmula de disputa, o Nacional tratou de assegurar o primeiro lugar de seu grupo, mas logo na segunda fase, acabou eliminado pelo Altos (PI). Em 2020, com a CBF estreando outra fórmula, mais uma vez o Leão acabou sendo a vítima, desta vez da chamada ‘pré-Série D’, uma fase preliminar onde oito clubes das oito piores federações ranqueadas disputavam um mata-mata, passando apenas quatro equipes. O Leão foi eliminado com duas derrotas para o Ji-Paraná (RO), sem chegar a participar da fase de grupos - enquanto o rival Fast foi até às quartas de final daquele ano.
Em 2023, o Nacional repetiu aquela que até então era sua melhor campanha, obtida em 2013, caindo nas oitavas para o Bahia de Feira (BA). Por fim, veio a consagração do acesso em 2026, e se coincidentemente o Leão da Vila Municipal foi por vezes vítima das estreias de novos regulamentos, acabou sendo beneficiado pelo mesmo motivo este ano, ao ser eliminado nas quartas de final, mas subindo de divisão na inédita repescagem.