Futebol feminino

Choro e 'vácuo' em empresário: Marília Furiel relembra bastidores do acerto com o Cruzeiro e emoção

Amazonense criada na Vila do Janauacá relembra início no Iranduba, chegada ao Cruzeiro e o momento em que recebeu a notícia de que defenderia o Brasil

Daniel Prestes
02/10/2026 às 13:08.
Atualizado em 02/10/2026 às 13:08

(Foto: Gustavo Martins/Cruzeiro)

Uma das grandes jogadoras do futebol amazonense nas últimas décadas, a amazonense Marília Furiel (atual atleta do Cruzeiro), nascida e crescida na Vila do Janauacá, comunidade que fica na zona rural do município que fica a 159 km da capital amazonense, esteve no podcast da TV Cruzeiro, em episódio que foi ao ar nesta quinta-feira (1), falar sobre momentos marcantes de sua carreira. 

Marília começou sua trajetória no futebol baré em jogos nas comunidades do interior. Em 2019, após uma peneira do Esporte Clube Iranduba, Lauro Tentardini, diretor de futebol do clube na época, contratou a atacante de 16 anos para a equipe sub-18 do Hulk da Amazônia. Ainda pelo Iranduba, Marília foi convocada para a Seleção Brasileira de base sub-17. 

Ainda no futebol amazonense, Marília ainda chegou a atuar no Instituto 3B. Entretanto, as atuações e o potencial da jovem atleta baré chamou a atenção de dirigentes do Cruzeiro. Ao ser perguntada sobre a sensação do interesse do Cabuloso, Marília foi transparente ao frisar sobre o seu medo de deixar a família pela primeira vez e até revelou que chegou a “deixar no vácuo” o seu empresário quando o mesmo iniciou os contatos sobre o interesse celeste.

“Fui pega de surpresa. O medo de sair de perto da família. É. Quando o meu empresário mandou mensagem falando que o Cruzeiro estava interessado em contratar, eu nem respondi. Deixei no vácuo. Ele mandava mensagem, ligava e eu não respondia porque eu tinha muito medo de sair de perto da minha família. Aí falei com meus pais, eles me deram apoio e disseram que, se era isso que eu queria, não custava nada eu tentar. Então, foi quando eu vim realizar esse sonho”, disse Marília, que continuou.
“Então, desde lá eu vim e foi difícil para caramba. Chorava todo dia quando eu cheguei aqui. Mas depois fui me acostumando. Eu sempre fiquei ao lado deles, então, eu sabia que não seria nada fácil eu me acostumar. Quando eu tive a oportunidade de sair, eu realmente fiquei com muito medo", explicou Marília Furiel.

A emoção da primeira convocação 

No Cruzeiro desde 2021 e campeã mineira em 2023, foi em outubro de 2024 que Marília alcançou o auge de todo atleta que joga futebol no Brasil. A diretora de futebol feminino da Raposa na época, Bárbara Fonseca, foi quem contou as boas notícias para Marília de que Arthur Elias a convocou para defender a amarelinha.  

A atleta baré brinca que, a sua primeira reação ao ver que a ligação era da direção do Cruzeiro, foi pensar se fez algo de errado.

"A primeira convocação eu tava em casa, depois que as meninas já haviam sido chamadas, mas a (Gabi) Portilho machucou. Aí, eu estava assistindo TV com a minha irmã e sobrinha e, do nada, a Bárbara (supervisora do futebol feminino do Cruzeiro entre 2019 e 2024) liga. Eu pensei: 'Meu Deus, o que que a Bárbara tá querendo?' Aí eu atendi a ligação, ela perguntou se tava tudo bem comigo, eu já perguntei se eu tinha feito algo de errado, pois a gente já pensa o pior. Mas ela me deu parabéns e disse que eu estava convocada para a Seleção Brasileira. Eu simplesmente comecei a chorar naquele momento, que é inesquecível na minha vida”, concluiu.
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