Após três eliminações seguidas nas quartas de final, equipe aposta nos jovens do bairro e no apoio das famílias para finalmente erguer a taça.
(Foto: Divulgação)
Após bater na trave nas últimas edições, o Grande Vitória FC entra em campo na disputa do Peladão 2026 com um objetivo traçado, sem rodeios: erguer a taça de campeão. A equipe, que estreou esta edição vencendo por 6 a 1 a Família TN ADP, no último fim de semana, tem construído uma trajetória de constância no maior torneio de futebol amador do mundo, e quer finalmente quebrar a barreira das quartas de final e fazer história pelo seu bairro.
A determinação do elenco reflete o sentimento acumulado ao longo das últimas temporadas. O time tem batido na trave sucessivamente, figurando entre as principais forças da competição, mas sem conseguir alcançar a decisão.
"O nosso objetivo no Peladão desse ano é ser campeão. A gente já tá há três anos caindo nas quartas de final, ficando entre os oito melhores. E a gente sempre sabe que dá de chegar", afirma Fernando Marinho, mais conhecido como Nando, presidente e treinador do Grande Vitória FC.
Em 2023, a equipe Grande Vitória conquistou o troféu de equipe mais disciplinada do Peladão 50, que premiou o time por ter tido melhor conduta, menor número de cartões, respeito às regras, à arbitragem e aos adversários.
Na última edição, o sonho do título foi interrompido em um confronto duro no Estádio da Colina, onde o Grande Vitória acabou superado por 4 a 2 pelo União Compensa, equipe que posteriormente se sagraria vice-campeã do torneio.
Enquanto muitos dos times do Peladão participam também de outros campeonatos amadores de bairros de Manaus, o Grande Vitória se dedica mesmo a disputar unicamente o Peladão, daí a importância do campeonato para a equipe. "O pessoal vem apoiar automaticamente porque eles gostam muito, vivem de verdade esse campeonato, sendo este o único do qual participamos".
Nando explica que a equipe, que tem cerca de sete anos de história, e antes conhecida como Unidos do Grande Vitória, valoriza, de fato, os atletas do bairro que deu nome ao time:
"A equipe foi estruturada a partir da prata da casa, valorizando os jovens do próprio bairro e oferecendo uma alternativa de vida saudável para eles, por meio do esporte".
A união do time é visível: na abertura do Peladão, o time e as famílias compareceram ao Sesi e, de acordo com Fernando, a força em equipe é o poder do Grande Vitória FC.
“As famílias dos garotos do time abraçam nosso trabalho dentro do bairro e sempre estão dispostos a virem prestigiar o time. As famílias sempre ajudam nos custos, se tem ônibus, se tem alguma coisa, as famílias sempre estão dispostas a ajudar para estarem juntas, torcendo”, disse Fernando.
Fernando Marinho, dono e treinador do time.
Para transformar a incômoda marca de "quase" em título, a comissão técnica não tem poupado esforços. A preparação física e tática, para a competição que acaba de começar, já dura três meses, com rotina de treinos semanais e o suporte de profissionais capacitados formados na própria comunidade.
Assim como a formação do time, o planejamento conta com a colaboração direta de moradores do bairro, incluindo um professor de Educação Física encarregado da preparação física e um treinador de goleiros com bagagem no futebol de base amazonense, com passagem pelo sub-20 do RB do Norte.
"A expectativa é das melhores. É chegar na final do campeonato pelo menos uma vez. O nosso bairro nunca conseguiu essa façanha, então, quem sabe, esse não vai ser o nosso ano?"Queremos ser campeões, trazer essa alegria para o nosso bairro e poder fazer uma linda festa para comemorarmos em grande estilo!" , conclui Marinho.
Com união comunitária, trabalho técnico rigoroso e a sede de vitória entalada na garganta, o Grande Vitória FC promete ser um dos concorrentes mais duros e determinados na corrida pelo troféu do Peladão este ano.
Para o lateral-esquerdo Paulo Anderson, a trajetória no Peladão é motivada pelo sentimento de pertencimento. Atuando há sete anos na competição e há quatro vestindo a camisa do Grande Vitória, ele destaca as raízes do elenco:
“Claro que todo jogador recebe proposta para jogar em outros times, mas o Grande Vitória mudou porque eu sou do bairro Grande Vitória, né? E quando o técnico Fernando montou esse time, ele conversou com a gente e falou que ia somente os jogadores do bairro mesmo, a molecada.”
O projeto, que começou despretensioso, surpreendeu logo na estreia e mudou o patamar das ambições da equipe na competição. “Pra dizer a verdade, a gente tinha pouca expectativa no campeonato quando a gente colocou o time pela primeira vez... Só que a nossa expectativa mudou quando a gente foi eliminado nas quartas de final do Peladão, que pra muitos times é uma honra chegar lá, com 700 times, 1000 e poucos times no Peladão. Então pra nós foi uma conquista muito grande”, relembrou o atleta.
Com a experiência de quem já chegou longe e encarou eliminações doídas, o foco agora está totalmente voltado para a taça.
“Nossa expectativa esse ano, como de todo jogador, é ser campeão. É um time com os jogadores só do bairro, nenhum jogador é pago, todos chegam lá porque gostam de estar ali e se sentem bem no time Grande Vitória. Então nossa expectativa esse ano vai ser muito grande”, concluiu Paulo.