Nesta segunda-feira (21), no aniversário de quatro anos do último título do Rio Negro, o técnico João Carlos Cavalo conversa de forma exclusiva com a reportagem de A Crítica para relembrar os passos que o levaram ao título de 2022, os erros de gestão das temporadas seguintes e o seu otimismo com o futuro do Galo da Praça da Saudade voltar a ser competitivo no cenário estadual e nacional.
“A grande diferença dessa conquista foi a organização. Eu me lembro que fui chamado para conversar com o Cristian e com o Gilson, ainda no ano anterior, em dezembro de 2021, para trabalhar nesta Série B. E aí fizemos a montagem do plantel, escolhemos detalhadamente os atletas com o Gilson, o Cristian e o Ribamar. Então, um dos pontos principais foi a gente ter começado bem antes e ter se organizado”, iniciou Cavalo, que continuou.
“Em seguida vieram as condições de trabalho. Salários em dia, alimentação, estrutura de trabalho e, dentro de campo, conseguimos o acesso, foi um título invicto, então tudo ali valeu a pena. E eu gostaria de ressaltar o carinho de ter defendido as cores do Rio Negro, pois é o clube do meu coração, o que me deu a primeira oportunidade como atleta e como treinador também. Fui tetracampeão amazonense como jogador e depois tive a oportunidade de conquistar este título também”, completou João Carlos.
Desde o título invicto há quatro temporadas atrás, o Rio Negro chegou a disputar a elite do Campeonato Amazonense duas vezes: em 2023 e 2024. Ainda com o comando de Cavalo e os dirigentes Cristian Juan e Gilson Gabriel nos bastidores, o Rio Negro se manteve na Série A do Campeonato em 2023.
Porém, em 2024, após um final de ano conturbado em seu cenário político, com a renúncia do ex-presidente Jefferson Oliveira e com Washington Deneriaz assumindo em seu lugar, o Galo perdeu as figuras que ajudaram na organização da equipe que subiu o clube para a Série A e manteve em 2023.
No ano do rebaixamento, o irmão de João Carlos Cavalo, Sidney Bento, ficou à frente da comissão técnica, o time acabou sendo montado às pressas e sem a mesma organização.
“O Rio Negro pecou pela falta de organização e planejamento. Em seguida, quando fizemos o time da primeira divisão, tivemos o mesmo planejamento para ter uma equipe competitiva. É claro que encontramos um Campeonato Amazonense forte, mas mesmo assim, a gente se manteve. Depois desse ano, as maiores forças do Rio Negro acabaram saindo, o Gilson e o Cristian. O clube acabou perdendo respaldo em organização e credibilidade. E aí, você formar um clube por formar, só para dizer que você vai participar, culminou em toda essa situação vexatória. Infelizmente a gente estava longe, mas mesmo assim acompanhando. O Rio Negro montou uma equipe uma semana antes de começar o campeonato, não dá tempo de treinar, não dá tempo de fazer nada, pecando em organização e nos salarios atrasados”, analisa Cavalo.
Em 2025 e em 2026, o Rio Negro desistiu de sua participação na Série B do Campeonato Amazonense. Enquanto isso, o Nacional – rival histórico do Barriga Preta – voltou a vencer o Campeonato Amazonense e conquistou o acesso à Série C do Brasileirão. João Carlos Cavalo frisou os feitos recentes do rival e destacou a importância do futebol amazonense reviver os anos de glória da dupla Rio-Nal.
“Eu fiquei sabendo que o Rio Negro está limpando o nome e pagando os atletas. Acho que isso é forma de, no ano que vem, voltar forte e estruturado. Acho que esse deve ser o primeiro passo. Eu torço muito para que o nosso futebol possa reviver os tempos de Rio Negro e Nacional forte. O Nacional agora alcançou uma qualificação para a Série C, é um passo grande e espero que consiga se manter. E, o Rio Negro vindo forte, daqui a pouco consegue voltar ao Campeonato Amazonense, depois briga para disputar um Brasileiro e subir de divisão. Precisamos voltar a ter as grandes forças do futebol amazonense na elite, ou em uma Série C ou Série B do Brasileiro. Os dois grandes carros chefes do nosso estado se chamam Rio Negro e Nacional e não tem como fugirmos disso”, concluiu Cavalo.
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