Operação deflagrada nesta terça-feira alvejou também o deputado federal Adail Filho, que concorre à reeleição
(Foto: Divulgação)
O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), foi afastado do cargo por decisão judicial na esteira da operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (16) e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura fraude em licitações e desvio de recursos públicos no município e também tem como alvo o deputado federal Adail Filho (Republicanos). O afastamento foi revelado pelo jornal Estadão no início da manhã.
Imagens da operação deflagrada nesta terça mostram que, dentre os itens recolhidos pela PF, estão joias, relógios, dólares e reais em dinheiro vivo, cuja quantidade ainda não foi contabilizada. Os agentes cumpriram 29 mandados de busca e apreensão nesta manhã.
(Foto: Divulgação PF)
A investigação aponta para uma atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros, com indícios de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras para pagamento de vantagens indevidas e para ocultação da origem e dos destinatários finais dos valores.
Em abril, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de um inquérito contra o deputado federal Adail Filho por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. A investigação teve início após a apreensão de cerca de R$ 1,25 milhão em espécie, transportados por três empresários em voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025.
No final do ano passado, uma reportagem do portal UOL mostrou que a PF ligou os três empresários a Adail Filho e Adail Pinheiro. Na época, o parlamentar negou qualquer envolvimento. De acordo com a PF, foram identificadas transações suspeitas e indícios de desvios ligadas a contratos públicos feitos pela Prefeitura de Coari e emendas parlamentares destinadas pelo deputado Adail Filho. Somente em contratos, a PF encontrou R$ 6 milhões.
“As apurações também indicaram que tais empresas mantinham contratos firmados com o Município de Coari e teriam sido utilizadas como meio para a prática de fraudes em procedimentos licitatórios. Soma-se a esse quadro a existência de informações obtidas em fontes abertas que evidenciam a destinação de vultosos recursos públicos ao referido município, nos anos de 2024 e 2025, por intermédio de emendas parlamentares de autoria do deputado”, escreveu Moraes, na ocasião.
Em nota, o advogado Fabricio de Melo Parente, da defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho, afirmou que a busca e apreensão ocorrida hoje “não significa que tenha ocorrido a formação de culpa ou o reconhecimento de que houve a prática de qualquer ato delituoso”.
Segundo a defesa, ambos os políticos afirmaram confiar nas instituições e esperar que “a normalidade seja reestabelecida o quanto antes”.