Gerente de espaço de ecoturismo denunciou possível crime ambiental e afirmou que acionou o órgão municipal de meio ambiente para investigar a alteração na água.
Água do Rio Urubu apresenta coloração turva na região da Cachoeira Natal, em Presidente Figueiredo, após denúncia de possível crime ambiental. O local teve a visitação de banhistas suspensa neste domingo (13) (Imagens: @natalfalls)
“Está me dando vontade de chorar de ver uma coisa dessa. Vocês não têm amor por nada. Não merecem nem viver num planeta desse, essas pessoas, meu Deus. Como é que vocês estão fazendo isso, cara?”. O desabafo é do gerente administrativo do Espaço Ecoturístico Natal Falls, Jones Oliveira, que denunciou neste domingo (13) uma alteração nas águas do Rio Urubu, em Presidente Figueiredo (município a 128 quilômetros de Manaus).
Em vídeo publicado nas redes sociais, Jones mostra a água na Cachoeira Natal com uma coloração turva e afirma que o rio, conhecido pelas águas cristalinas, foi afetado por alguma ação que ele classificou como crime ambiental. A publicação já ultrapassou 16 mil curtidas e mil comentários, com internautas pedindo investigação sobre o caso.
Segundo Jones, a situação levou o espaço de ecoturismo a suspender a visita de banhistas neste domingo. Ele relatou que precisou barrar visitantes e devolver o dinheiro de pessoas que já haviam chegado ao local. A Cachoeira Natal fica no Ramal do Cuado, no km 7, na região do Urubuí, em Presidente Figueiredo.
Jones também afirmou que comunicou o caso ao órgão municipal de meio ambiente e pediu que uma equipe fosse até a região para registrar a ocorrência e investigar o caso.
“Eu peço perdão, mas hoje a Cachoeira Natal está fechada, lamentando entristecidamente. É um rio que passa por outras propriedades que vivem cometendo crimes ambientais. A primeira coisa que eles fazem é desmatar as margens dessas áreas, não respeitam a mata ciliar e agora estão sujando a água”, relatou.
O ex-secretário municipal de Meio Ambiente de Presidente Figueiredo, Luiz Augusto Schwade, disse que acompanha o caso, apesar de não ocupar mais o cargo na pasta, e avaliou que a alteração pode estar relacionada ao uso de máquinas pesadas no leito do rio.
“Pelo que vi no vídeo e como estamos no verão, tenho quase certeza que se trata de máquina pesada trabalhando no leito do Rio. A questão é subir o rio e encontrar a origem”, afirmou.
Segundo ele, informações recebidas indicam que a água da Cachoeira da Perema estaria limpa. Por isso, a suspeita é de que a alteração possa ter ocorrido em algum ponto entre a Cachoeira Natal e a Perema, no próprio Rio Urubu ou em algum afluente.
Questionado sobre a possibilidade de mineração, Luiz considerou a hipótese improvável, embora não a descarte. Para ele, uma possibilidade mais provável seria a realização de alguma obra para a instalação de um balneário.
Ainda não há confirmação sobre a origem da água turva nem sobre eventual responsável pela alteração. A reportagem de A CRÍTICA tentou contato com Jones para obter mais informações sobre a denúncia e saber se uma equipe ambiental esteve no local, mas não teve retorno até a publicação.