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Arquidiocese de Manaus cobra 10 medidas contra queimadas no Amazonas

Nota pública é divulgada após semana de fumaça intensa, calor extremo e piora da qualidade do ar em Manaus

Vanessa Alcântara
26/09/2026 às 09:40.
Atualizado em 26/09/2026 às 10:07

Nesta semana, Manaus registrou os piores índices de qualidade do ar no ano (Foto: Junio Matos)

A Arquidiocese de Manaus divulgou uma nota pública com dez medidas que devem ser adotadas pelo poder público para prevenir e combater as queimadas no Amazonas e reduzir os impactos da fumaça sobre a população. O documento foi publicado na quinta-feira (24), após uma semana marcada por níveis críticos de poluição do ar, calor extremo e fumaça encobrindo diferentes áreas de Manaus e da Região Metropolitana.

A manifestação é assinada pelo arcebispo metropolitano de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, e defende ações que vão desde o reforço da fiscalização e da investigação de incêndios até a criação de protocolos específicos para períodos de fumaça e calor, além de políticas de médio e longo prazo para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

A nota afirma que a situação não deve ser naturalizada. “Não podemos naturalizar um cenário em que respirar se torna um risco, em que o céu da cidade é encoberto pela fumaça”, diz o documento.

A publicação ocorre depois de Manaus enfrentar, nesta semana, um dos episódios mais críticos de qualidade do ar registrados em 2026. Na quarta-feira (23), oito das 12 estações de monitoramento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) indicavam qualidade do ar classificada como “péssima”. Na zona Sul, a concentração de partículas finas chegou a 286,2 µg/m³. No dia anterior, a cidade havia registrado 38,6°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A combinação entre fumaça e temperaturas elevadas também levou autoridades de saúde a recomendar a redução da exposição ao ar contaminado e a suspensão de atividades físicas ao ar livre em momentos de maior concentração de poluentes. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) alertou para os riscos à saúde e destacou a atenção especial a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

O que a Arquidiocese pede

A primeira medida apresentada pela Arquidiocese é o fortalecimento da prevenção, fiscalização e combate às queimadas em todo o Amazonas. A instituição também pede que as fiscalizações sejam intensificadas nos períodos de maior risco, principalmente nas áreas identificadas como origem dos incêndios que afetam Manaus e a Região Metropolitana.

A terceira medida trata da investigação das queimadas e incêndios ilegais, com identificação dos responsáveis e aplicação efetiva das sanções administrativas, civis e criminais previstas.

A nota também defende uma atuação permanente e integrada entre órgãos municipais, estaduais e federais das áreas de meio ambiente, saúde, segurança, defesa civil e fiscalização.

Outro pedido é a ampliação e divulgação transparente do monitoramento da qualidade do ar em Manaus e nos municípios atingidos pela fumaça.

A Arquidiocese propõe ainda a criação de protocolos específicos para períodos críticos de fumaça e calor, com medidas voltadas principalmente à proteção das pessoas mais vulneráveis, além do fortalecimento da rede pública de saúde para atender quem apresentar problemas relacionados à poluição e às altas temperaturas.

A sexta e a sétima medidas se relacionam diretamente à proteção da população: protocolos públicos para períodos críticos e reforço da assistência de saúde às pessoas afetadas pela fumaça e pelo calor extremo.

Comunicação e prevenção

A instituição também pede que o poder público mantenha uma comunicação rápida, acessível e transparente sobre a qualidade do ar, os riscos à saúde, a possível origem dos incêndios e as medidas de proteção recomendadas à população.

A nota propõe ainda o fortalecimento permanente de políticas de educação ambiental e prevenção de incêndios, para além das ações realizadas somente durante o período de estiagem.

A décima medida trata da elaboração de políticas de médio e longo prazo para preparar o Amazonas para os impactos da emergência climática.

Para a Arquidiocese, as condições climáticas podem favorecer a propagação dos incêndios, mas não devem ser utilizadas para naturalizar queimadas provocadas pela ação humana ou diminuir a responsabilidade sobre suas causas.

A manifestação da Igreja ocorre no mesmo momento em que diferentes instituições passaram a cobrar ações permanentes diante da recorrência da fumaça em Manaus. Em reportagem publicada pelo A CRÍTICA na última quinta-feira (25), especialistas, ativistas e representantes da sociedade civil defenderam maior integração entre os órgãos públicos, planejamento e medidas de prevenção.

Na mesma semana, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) criou um núcleo específico para atuar em situações de crise ambiental, com foco em incêndios florestais, queimadas, estiagem e poluição atmosférica. O órgão também passou a acompanhar as medidas adotadas pelo Estado diante da piora da qualidade do ar.

Ao final da nota, o cardeal Leonardo Steiner reforça o caráter coletivo da responsabilidade diante do cenário ambiental: “Cuidar da Amazônia é cuidar da vida! Cuidar da Casa Comum é responsabilidade de todos e todas!”.

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