Dados do Anuário de Segurança indicam alta nas estatísticas de violência contra vulneráveis no Amazonas
Amazonas foi um dos estados que foram na contramão dos índices nacionais, que apresentaram queda (Arquivo AC)
O Amazonas segue na contramão de outros estados brasileiros que registraram redução nos casos de estupro e estupro de vulnerável. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, em 2025, 21 dos 27 estados brasileiros tiveram queda nos registros de estupro e estupro de vulnerável. O Amazonas foi um dos seis estados que registraram aumento, ao lado de Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Pará, Paraíba e Maranhão.
No Amazonas, houve alta de 13% no número total de ocorrências de estupro e estupro de vulnerável, que passaram de 1.551 para 1.769 casos. No mesmo período, o Brasil apresentou uma queda de 5,5%.
Entre as vítimas do sexo feminino, o cenário também é de crescimento. No Amazonas, os casos passaram de 1.353 para 1.569, o que representa uma alta de 14,9%.
Para a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca), Amanda Ferreira, o aumento das denúncias e a atuação dos órgãos de segurança e da Rede de Proteção podem ajudar a explicar parte desse crescimento.
Promotora de Justiça Romina Carvalho defende a aplicação do ECA Digital para combater crimes virtuais
Amanda Ferreira também destacou que, durante muito tempo, crianças e adolescentes não tinham conhecimento de que determinadas situações pelas quais passavam configuravam abuso ou violência sexual.
Para o antropólogo, pesquisador, historiador, escritor e palestrante Daniel Guimarães, o Amazonas apresenta um cenário preocupante não apenas em relação aos casos de estupro e estupro de vulnerável, mas também no que diz respeito aos crimes relacionados à produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil. Segundo ele, o Estado está entre os cinco do país que registraram maior aumento desse tipo de crime entre 2024 e 2025.
O pesquisador também chama atenção para a violência letal contra crianças e adolescentes na Amazônia Legal.
“Considerando somente as ocorrências de 2023, 88% do total de crianças e adolescentes vítimas de Mortes Violentas Intecionais na Amazônia Legal tinham entre 15 e 19 anos. É uma tragédia”, afirmou.
Para o antropólogo, pesquisador, historiador, escritor e palestrante Daniel Guimarães, o crescimento do uso das redes sociais e das plataformas digitais acrescenta uma nova dimensão ao problema. O ambiente virtual pode ser utilizado para o aliciamento de crianças e adolescentes, a prática de crimes sexuais e a produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil, exigindo ações permanentes de prevenção, educação digital e fortalecimento da rede de proteção.
Para Daniel Guimarães, o crescimento do uso das redes sociais e das plataformas digitais acrescenta uma nova dimensão ao problema. O ambiente virtual pode ser utilizado para o aliciamento de crianças e adolescentes, a prática de crimes sexuais e a produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil, exigindo ações permanentes de prevenção, educação digital e fortalecimento da rede de proteção.
Pesquisador Daniel Guimarães alerta para os impactos do isolamento geográfico e da violência intrafamiliar
De acordo com Daniel Guimarães, o aumento dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no Amazonas está relacionado a uma série de fatores sociais, econômicos, geográficos e culturais que tornam esse público ainda mais vulnerável.
De acordo com o pesquisador, outro aspecto é a predominância da violência dentro do ambiente familiar. Dados oficiais apontam que mais de 80% dos abusos ocorrem na residência da vítima. Em muitos casos, o autor é alguém próximo da criança ou do adolescente, como familiares, padrastos ou pessoas que possuem uma relação de confiança com a família. Essa proximidade pode favorecer o silêncio, dificultar a denúncia e prolongar a situação de violência.
Guimarães ressalta que as dificuldades para denunciar também contribuem para a permanência desse cenário. O medo de represálias, a dependência financeira em relação ao agressor, a falta de informação sobre os direitos das vítimas e a dificuldade de acesso aos canais de denúncia, principalmente no interior, podem fazer com que muitos casos não cheguem ao conhecimento das autoridades.
Além disso, a vulnerabilidade socioeconômica aumenta os riscos. A pobreza, a falta de infraestrutura, o acesso limitado à educação e a ausência de espaços adequados de esporte, cultura e lazer podem deixar crianças e adolescentes mais expostos a redes de exploração, aliciamento e abuso sexual.