Acerto com Ministério Público Federal envolve criação de comitês no interior do Amazonas envolvendo advogados e membros da Igreja Católica
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O Comitê Amazonas de Combate à Corrupção (CACC) acertou com o Ministério Público Federal (MPF) uma parceria para fiscalizar abusos de poder político e econômicos nas eleições de 2026. Segundo o advogado Carlos Santiago, esses possíveis abusos estão entre as principais preocupações do grupo devido à natureza dos pré-candidatos ao governo do Amazonas.
“Um pré-candidato tem apoio do governo federal, da máquina federal, e o outro possui poder dentro da Prefeitura de Manaus, além dos atuais deputados federais e deputados estaduais que detém força, estruturas parlamentares e também poder para direcionar emendas”, disse.
Atualmente, o Amazonas possui três pré-candidatos ao governo estadual: o senador Omar Aziz (PSD), que deve contar com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de uma gama de aliados na Câmara dos Deputados e nas prefeituras do interior; o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que procura ter a máquina da capital a seu favor por meio do vice-prefeito Renato Junior (Avante), o qual assumirá a cadeira com a eventual saída do prefeito.
Há ainda a reitora e empresária Maria do Carmo (PL), candidata da direita que conta com o apoio do capital político e de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) e outros deputados estaduais e vereadores do Partido Liberal em Manaus.
Carlos Santiago informou ainda que foi discutida a questão das estruturas dos órgãos que irão fiscalizar as eleições para punir infrações. Essa foi uma das razões para a reunião com o procurador-geral eleitoral do Amazonas, Edmilson Barreiros, para tratar de parcerias entre a sociedade civil e o MPF.
“O que ficou acertado como forma de contribuir com o processo eleitoral será a criação de comitês nas cidades do interior do Amazonas, envolvendo advogados e membros da Igreja Católica. Um desafio grande, mas necessário, até porque as eleições gerais irão ocorrer para vários cargos e quanto mais profissionais do direito, da contabilidade, do jornalismo, da administração, que estiverem envolvidos para fiscalizar o processo eleitoral, para contribuir com a democracia, será bem melhor”, destacou.
Na reunião, o comitê também reafirmou o compromisso de promover neste ano, cursos sobre propaganda eleitoral, prestação de contas eleitorais, voto consciente e responsabilidade do ato de votar, bem como o compromisso de continuar recebendo e encaminhando as denúncias eleitorais aos órgãos competentes, como a Política Federal e a Justiça Eleitoral.