Médica veterinária Ádria Camila Souza da Silva explica que o clima úmido aumenta o risco de doenças e dá dicas de como manter a saúde dos animais durante o período
(Foto: Divulgação)
As chuvas intensas têm sido a marca deste início de ano na capital amazonense. Ao longo de 28 dias de janeiro, Manaus superou a média histórica de 305,6 milímetros de chuva, acumulando 334,2 mm, conforme dados da estação convencional do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Essa intensificação acende o alerta sobre o surgimento de doenças causadas pelo acúmulo de água e umidade, especialmente em quem não pode se cuidar sozinho: os amigos de quatro patas.
Sócia-fundadora do Centro de Especialidades Cirúrgicas e Veterinárias (CECV), a médica veterinária Ádria Camila Souza da Silva explica que o período de chuvas cria o ambiente perfeito para a proliferação de microrganismos, bem como aumenta o risco de contato com água contaminada.
“É por isso que os cuidados com cães e gatos devem ser redobrados nesta época. É fundamental manter o ambiente sempre seco e bem ventilado, evitar que o animal permaneça com pelos molhados por longos períodos e garantir uma secagem completa após banhos ou passeios na chuva. Camas, cobertores e casinhas também precisam estar livres de umidade, pois o excesso de água favorece o desenvolvimento de fungos e bactérias”, detalha.
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De acordo com ela, que faz questão de compartilhar diversas informações aos tutores em seu perfil do Instagram (@dra.adriacamila), algumas doenças são mais frequentes durante o período de chuvas.
“A leptospirose é uma das principais preocupações, pois pode ser transmitida pelo contato com água contaminada por urina de roedores, algo comum em enchentes e áreas alagadas. Também há aumento de dermatites bacterianas e fúngicas devido à umidade constante na pele. Doenças transmitidas por carrapatos, como erliquiose e babesiose, tendem a crescer, porque a chuva favorece a vegetação e a proliferação desses parasitas. Problemas gastrointestinais, como giardíase e verminoses, também podem ocorrer com maior frequência”, especifica.
A cirurgiã veterinária pontua que os primeiros sinais de que a umidade está prejudicando o animal geralmente envolvem coceira, vermelhidão na pele, lambedura excessiva, odor forte na pele ou nas orelhas, presença de secreção no ouvido e cabeça sacudida com frequência. “Em casos mais graves, podem surgir apatia, febre, vômitos ou diarreia, sinais que exigem avaliação veterinária imediata, especialmente pela possibilidade de doenças infecciosas como a leptospirose”, salienta Ádria.
Segundo ela, para evitar consequências durante o período chuvoso, é possível fortalecer o sistema imunológico dos cães e gatos por meio de alimentação de qualidade – com níveis adequados de proteína, suplementação de ômega 3 (quando indicado) –, controle de estresse, sono adequado e check-ups veterinários regulares.
A sócia-fundadora do CECV enfatiza que manter as vacinas em dia é indispensável. “Para cães, a vacina polivalente (V8 ou V10), que inclui proteção contra leptospirose, deve estar atualizada, além da antirrábica. Pode-se considerar também a vacina contra gripe canina. Para gatos, é fundamental manter a vacina múltipla (V3, V4 ou V5) e a antirrábica atualizadas. Além disso, o uso regular de antiparasitários contra pulgas e carrapatos e a vermifugação periódica são medidas preventivas importantes. A prevenção continua sendo a melhor estratégia: ambiente seco, controle de parasitas, atenção aos primeiros sinais clínicos e vacinação atualizada”.