Resultado evidencia como procurement estratégico passou a influenciar custos, contratos e riscos em operações de grande porte
O comércio mundial de bens e serviços movimentou US$ 34,65 trilhões em 2025, crescimento de 7% em relação ao ano anterior, segundo a Organização Mundial do Comércio. Desse total, US$ 26,26 trilhões corresponderam ao comércio de mercadorias. A escala financeira revela quanto às decisões de compra, transporte e contratação passaram a influenciar custos empresariais em cadeias produtivas distribuídas por diferentes países.
O volume do comércio global de mercadorias avançou 4,6% em 2025, mas a projeção básica publicada pela organização indicou desaceleração para 1,9% em 2026. Mudanças tarifárias, oscilações logísticas e variações nos preços de energia e matérias-primas aumentam a dificuldade de planejar aquisições industriais. Para as empresas, uma alteração aparentemente limitada no fornecedor, na rota ou no contrato pode alcançar margens, cronogramas e investimentos de grande porte.
A resposta a essa volatilidade passa pelo procurement estratégico, área que combina análise comercial, critérios técnicos e gestão de riscos. É nesse campo que atua Keila Cristina Gomes da Silva Luz, especialista em supply chain management e sourcing industrial. Atualmente, ela é responsável por um orçamento de aproximadamente R$ 270 milhões destinado a equipamentos, obras civis, montagens eletromecânicas e serviços de engenharia para projetos de capital.
A dimensão dos recursos administrados dá visibilidade a uma função que deixou de ser apenas operacional. Segundo os dados profissionais apresentados, as negociações conduzidas por Keila Luz com base no custo total de propriedade alcançaram economia média anual de 23%. O resultado considera não apenas o preço contratado, mas condições comerciais, riscos de execução, desempenho esperado e despesas que podem surgir ao longo da vida do contrato.
“Reduzir custos operacionais, melhorar a previsibilidade logística e diminuir riscos contratuais e de abastecimento” são objetivos que Keila Luz associa a uma gestão de suprimentos estruturada. Na prática, eles exigem decisões capazes de equilibrar economia imediata e continuidade industrial, especialmente quando atrasos ou falhas de fornecedores podem afetar engenharia, montagem e entrada em operação.
A consequência foi uma mudança de função. Em operações industriais, procurement já não se limita à emissão de pedidos ou à comparação do menor preço apresentado. A área passou a examinar capacidade produtiva do fornecedor, risco cambial, prazo, qualidade, segurança, obrigações contratuais e efeitos sobre a operação. A experiência de aproximadamente 16 anos de Keila Luz em materiais diretos e indiretos, serviços, logística e projetos de capital acompanha essa ampliação do papel das compras.
O método de trabalho observado nessas operações parte da definição técnica da demanda e avança por inteligência de mercado, qualificação de fornecedores, processos competitivos, análise de TCO, negociação, formalização contratual e acompanhamento por indicadores. A lógica impede que a economia registrada na contratação seja anulada mais tarde por atraso, retrabalho, aditivos, baixa produtividade ou indisponibilidade de materiais.
A implantação de indicadores de desempenho ampliou a capacidade de acompanhar obrigações e corrigir desvios durante a execução. Em vez de tratar o contrato como o encerramento da compra, o acompanhamento transforma o documento em instrumento de governança entre a empresa e seus fornecedores.
Em materiais diretos, a escala adiciona outra camada de responsabilidade. Keila Luz geriu aproximadamente R$ 120 milhões em compras de plásticos e R$ 103 milhões em cabos, além de um volume anual de cerca de R$ 500 milhões em matérias-primas nacionais e internacionais destinadas ao lançamento de veículos. Nesses casos, preço, qualidade e disponibilidade precisam ser conciliados com calendários industriais, testes, homologações e continuidade das linhas de produção.
A experiência ajuda a explicar por que o desenvolvimento de fornecedores se tornou parte da estratégia. Uma base excessivamente concentrada pode reduzir alternativas diante de interrupções; uma base ampliada sem critérios técnicos pode elevar falhas e custos de controle. A decisão exige avaliar capacidade, estabilidade financeira, conformidade, logística, qualidade e possibilidade de substituição, sem transformar diversificação em simples aumento do cadastro.
Para Keila Luz, o objetivo é contribuir para a construção de “cadeias de suprimentos mais eficientes, resilientes, sustentáveis e economicamente competitivas”. A frase, registrada na descrição de seu projeto profissional, sintetiza uma visão em que economia não é analisada isoladamente. O resultado precisa permanecer sustentável durante a execução e preservar a capacidade da empresa de produzir, cumprir contratos e responder a mudanças externas.
A evolução do procurement reflete, portanto, uma exigência de gestão. Quando compras técnicas, contratos e informações de fornecedores são tratadas de forma integrada, a área deixa de reagir apenas às solicitações internas e passa a antecipar impactos financeiros e operacionais.