Caso Benício

Relatório aponta que médica negociava maquiagem durante atendimento que terminou na morte de Benício

O documento da Polícia Civil do Amazonas revela que, em meio a um atendimento de emergência na "Sala Vermelha", a profissional dividia sua atenção entre pedidos de orientação técnica e a venda de produtos de beleza

Jeysy Xavier
24/03/2026 às 09:04.
Atualizado em 24/03/2026 às 09:04

(Foto: Reprodução)

No mesmo dia em que fez três meses da morte do menino Benício, o inquérito de investigação ganha um capítulo determinante com a divulgação do relatório de extração de dados do celular da médica Juliana Brasil.

O documento da Polícia Civil do Amazonas revela que, em meio a um atendimento de emergência na "Sala Vermelha", a profissional dividia sua atenção entre pedidos de orientação técnica e a venda de produtos de beleza.

Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, a conduta da médica extrapola a negligência e entra na esfera do dolo eventual.

 "O fato de a médica estar vendendo produtos de beleza enquanto a vítima estava em estado crítico, entre a vida e a morte, denota indiferença com a vida. Isso configura o chamado dolo eventual, caracterizando homicídio qualificado doloso", afirmou o delegado.

As mensagens extraídas mostram que Juliana foi acionada para o atendimento às 14h37.

Embora tenha utilizado o aparelho para consultar colegas sobre a dosagem de medicamentos e procedimentos como eletrocardiogramas, a linha do tempo revela que, pouco mais de uma hora depois, o foco foi desviado para assuntos comerciais.

Às 15h46, enquanto Benício apresentava sérias dificuldades respiratórias e taquicardia, Juliana iniciou uma conversa com uma amiga identificada como "Débora Amanda - Beauty". Na interação, a médica negociava valores e enviava emojis.

"Sim, era 230, deixei 190 pra você", escreveu a médica em um dos trechos do relatório, referindo-se ao valor de um produto de maquiagem.

A Cronologia do Atendimento

De acordo com o relatório da 24ª DIP, este foi o passo a passo da conduta da médica no dia 22 de novembro de 2025.n

• 14h37: Juliana Brasil é chamada para iniciar o atendimento de Benício.
• 14h44: A médica envia mensagem a um colega admitindo que errou a prescrição de um medicamento.
• 15h13 a 15h38: Juliana busca orientações técnicas com outros dois médicos sobre como proceder com o quadro da criança.
• 15h46: Interrupção comercial. No ápice da crise do paciente, Juliana responde mensagens sobre venda de maquiagem, envia sua chave PIX e combina a entrega de produtos.
• 15h47: Retoma o contato com a equipe médica para receber instruções de socorro.
• 16h15: É solicitada a transferência definitiva de Benício para a UTI.

A investigação aponta que a tragédia foi desencadeada por um erro gravíssimo de medicação. Benício Xavier deu entrada na unidade de saúde com um quadro que exigia cuidados, mas sua condição deteriorou rapidamente após receber uma overdose de adrenalina.

Benício morreu em 23 de novembro, após receber adrenalina na veia durante atendimento hospitalar. A médica Juliana Brasil e a Técnica de Enfermagem Raíza Bentes ainda estão sob investigação em liberdade.

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