Preço dos combustíveis

Sindicato repudia alta dos combustíveis e alerta para impacto no transporte em Manaus

O SIFRETAM acredita que pode haver uma escassez de combustíveis no Amazonas e solicita às autoridades uma “atitude urgente” para evitar maiores perdas na sociedade geral

Lucas Motta
24/03/2026 às 13:30.
Atualizado em 24/03/2026 às 13:30

(Foto: Nilton Ricardo)

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento, Turismo, Rodoviário Intermunicipal, Interestadual e Internacional do Estado do Amazonas (SIFRETAM) repudiou o aumento do preço dos combustíveis em Manaus, nesta terça-feira (24). 

A entidade publicou uma nota à imprensa na qual chama o encarecimento de abusivo e prevê problemas em algumas atividades na capital do Amazonas, uma vez que “o alto valor dos combustíveis impacta diretamente o serviço de transporte não só de passageiros, mas a logística em todos os setores, principalmente das fábricas do Distrito Industrial, que precisam do setor de transporte para seus colaboradores”. 

O sindicato acredita que pode haver uma escassez de combustíveis no Amazonas e solicita às autoridades uma “atitude urgente” para evitar maiores perdas na sociedade geral. Um trecho da nota esclarece que “uma eventual paralisação ou redução da capacidade operacional por conta do aumento no preço dos combustíveis poderá comprometer o fluxo regular de trabalhadores, acarretando atrasos, absenteísmo e até interrupções em linhas de produção.” 

O sindicato não é o único a repercutir, de forma negativa, as dificuldades causadas pelo aumento. Pelas ruas de Manaus o que mais se vê são motoristas que lamentam o aumento da despesa, em especial, do preço da gasolina. Há postos na cidade que cobram R$ 7,59 por litro. O que foi a segunda alta em menos de cinco dias, valor que chegou a mais R$ 0,60, no acumulado. 

Para o motoboy Italo Braga, essa mudança já afeta a rotina de trabalho. 

Ítalo Braga, motoboy

“Tô até pensando em deixar de ser motoboy, não tem condições. A moto já “bebe” muito e pagando mais caro então… eu já coloco R$ 30 reais por dia [de gasolina], já não tá dando mais”, comentou. 

Quem dirige carro, como é o caso do policial militar Luís Carlos, gasta ainda mais já que o veículo consome acima do que uma motocicleta. Ele já não vê outras opções para redução da despesa, precisa do veículo para se locomover, o “jeito” arrumado foi andar sempre com o ar condicionado desligado e de janelas abertas, mesmo diante do na capital do Amazonas. 

Luís Carlos - policial

  “Aumentou muito, desse jeito não tem como o povo brasileiro ir para o trabalho todos os dias. Está complicada a situação. O Brasil não depende [ de petróleo] só de fora do país, temos refinas aqui dentro”, comentou. 

Embora o nosso país não dependa 100% da produção externa, a matéria prima também vem de fora. Para o economista Altamir Cordeiro, existe uma série de fatores que estão “escondidos” na alta do preço em Manaus e em todo o mundo. A tensão entre Estados Unidos da América e Irã provocou um efeito em cadeia. 

“Os preços dos combustíveis ficam mais caro ao consumidor devido aos custos embutidos na composição dos preços.  Além dos impostos federais, temos os impostos estaduais, margem de lucro das distribuidoras e dos revendedores ( postos de gasolina) entre outros ,como os custos operacionais de transportes.  A guerra ,provocou o aumento dos preços dos barris de petróleo e com isso a produção dos combustíveis foram afetados”, explicou. 

Além disso, Cordeiro entende que as nossas refinarias não estão preparadas para refinar o óleo bruto extraído e, por isso, o Brasil importa gasolina,diesel e querosene  de outros países. Também cita que, para o caso do Amazonas, não há concorrência entre os revendedores e com isso “impera um acordo tácito nos preços dos combustíveis”.

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