Economia e mobilidade

Alta da gasolina impulsiona busca por carros elétricos em Manaus

Com combustível acima de R$ 7, consumidores migram para modelos elétricos, que crescem mais de 500% no Amazonas e reduzem drasticamente os custos mensais

Lucas Motta
21/03/2026 às 19:52.
Atualizado em 21/03/2026 às 19:52

Os elétricos conquistam consumidores pela economia e menor custo (Foto: Paulo Bindá/A Crítica)

Da academia ao trabalho, do supermercado até a casa dos pais. A rotina do cinegrafista Davis Alberto é intensa quando o assunto é o deslocamento na capital do Amazonas, por semana ele percorre, em média, 420 quilômetros com o carro. Mesmo que você não dirija, talvez você já esteja pensando em gastos com combustível; há cinco meses o custo mensal era por volta de R$ 2.000 com gasolina, desde outubro, quando comprou um veículo elétrico o valor gasto com a recarga é de R$ 60, por mês.

“São muitas vantagens, mas a economia não é só no abastecimento, é na manutenção, não tem troca de petróleo, por exemplo”, comentou.

A venda de carros elétricos ou híbridos cresceu ininterruptamente no Amazonas desde 2022, segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE). Naquele ano, foram 459 unidades vendidas, em 2025, 2.863; esse salto (que foi sustentado anualmente) foi de 523%.

A pesquisa já possui dados de 2026, até este momento do trimestre, o estado é o segundo campeão de vendas na região Norte, com 405 unidades; fica atrás apenas do Pará, que tem 453.

Esse mercado aquecido é visto no cotidiano de trabalho do consultor de vendas de veículos elétricos Leonardo Garcia. É que Manaus, ainda de acordo com os números da ABVE, é a capital do Norte com a maior concentração de vendas entre as cidades, 22,78% ou 398 unidades. Garcia admite que há pelo menos um ano e meio notou uma forte demanda, alta procura pelos modelos elétricos.

Perfil do cliente

Sobre o perfil do cliente que mais visita a concessionária, geralmente é aquele que gasta muito dinheiro no orçamento mensal: famílias com um único veículo e muitos membros ou pessoas que trabalham com viagens por aplicativo. É claro que o valor também impacta muito na decisão de mudar de carro, mas é aí que começa a comparação entre os modelos.

"O nosso carro de entrada, vamos dizer assim, custa R$ 119 mil reais. Esse é o preço, por exemplo, de um Ônix Premier, mas o nosso veículo entrega tudo o que esse outro não entrega. A economia é muito grande; ele 'roda' de 280 a 300 milhas com R$ 35. Esse é o principal atrativo", disse.

As vendas aumentaram tanto no início de 2026 que alguns modelos da entrega onde Leonardo atua precisam ser encomendados já que o estoque presente na capital do Amazonas acabou. E por falar no estado, as vendas já começaram a alcançar municípios da região metropolitana como é o caso de Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Iranduba. Uma curiosidade que Garcia diz esclarece com frequência é sobre a bateria dos veículos.

"É uma dúvida até engraçada, se a bateria vicia. Essa é a principal. Mas, claro que não, nossa bateria não vicia; hoje ela é a melhor do mundo, a Blade; não pega fogo, não tem curto-circuito", explicou.

Reflexos

Embora o conflito ocorra a milhares de quilômetros de distância do Amazonas, os reflexos são sentidos aqui de forma quase instantânea. A gasolina, por exemplo, bateu R$ 7,29 o litro nas últimas semanas, em Manaus. A explicação para essa consequência é baseada em dois fatores; A demanda global e dificuldades logísticas da região amazônica, é o que defende a economista Denise Kassama.

"Como a maior região que produz petróleo está em conflito estão produzindo menos e, consequentemente, oferecendo menos no mercado mundial. Quando a oferta reduz e a demanda não, há tendência para os preços subirem. Em Manaus, temos o agravante que o custo de logística, tudo para chegar até aqui custa mais, inclusive o petróleo", explicou.

Denise também lembrou que o Governo Federal desonerou a cadeia do diesel com foco no agro, por causa da época de safra. Mas ela defende que os Estados devam baixar o ICMS também na mesma cadeia para que haja um rompimento no bolso dos brasileiros, por causa do efeito “dominó” de alto custo de produção x aumento de preços.

Mesmo com as melhores projeções e projeções especulativas de uma melhoria no patamar global do mercado de petróleo ou em uma política mais eficiente de economia interna, Kassama acredita que o preço dos combustíveis fósseis devam retornar aos patamares vistos nos anos anteriores, com valor aproximado de R$ 3, por litro. E isso acontece, segundo ela, pela natureza das altas margens de lucro que compõe a produção e venda da matéria prima.

"Não há interesse econômico para que a gasolina seja barata. Há interesse de quem domina essa cadeia de faturar cada vez mais", disse.
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