Em municípios profundos das regiões Norte e Nordeste ter uma agência dos Correios significa acessar um dos poucos canais que garante a prestação de serviços básicos a milhares de pessoas e de famílias
(Foto: Agência Brasil)
O plano de reestruturação dos Correios é necessário. Este é o ponto. Como será realizado é o outro. Os responsáveis pela execução do processo têm a responsabilidade de conhecer in loco a realidade e a função social, cultural, política e econômica que uma agência dos Correios exerce no Brasil mais profundo.
Em municípios profundos das regiões Norte e Nordeste ter uma agência dos Correios significa acessar um dos poucos canais que garante a prestação de serviços básicos a milhares de pessoas e de famílias. É nos Correios que respostas e resoluções são dadas a esse contingente de indivíduos cujo cidadania ainda é para ser conquista.
Cabe igualmente aos governadores, prefeitos, ao legislativo (nacional, estadual e municipal) e ao judiciário chamar para si parte da responsabilidade que lhes é atribuída e situar a importância dessas agências públicas nesses lugares.
Há um setor de opinião pública que vocifera pela privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e até bem pouco tempo a proposta era mesmo de vende-la. Os Correios são um dos patrimônios públicos que pode vencer a crise ao qual foi submetido e atuar com eficiência e eficácia em diferentes segmentos nesse setor, desde que medidas realmente saneadoras sejam aplicadas.
É um bom momento para reestruturar a empresa, modernizá-la e utilizar os recursos da tecnologia para torna-la um bom empreendimento nacional a serviço dos brasileiros.
As informações disponibilizadas são de que serão fechadas 7 mil agências e, destas, 1 mil ainda este ano, consideradas deficitárias. No interior do Amazonas, são 63 agências, quantas delas estão incluídas na lista de deficitárias? E qual será o critério para fechá-las, caso estejam na lista? Há outros componentes que precisam ser considerados quando se mapeia o déficit por um olhar unicamente econômico.
Espera-se que tanto a direção dos Correios no Amazonas quanto os representantes dos poderes no estado possam agir, de forma cooperativa, para apresentar à sociedade a situação da ECT e as propostas em âmbito estadual ao plano de reestruturação. Ou seja, o projeto nacional exige incluir a dimensão regional/local, notadamente nas localidades que têm nos Correios um suporte fundamental n resolução de questões que dizem respeito à vida dessas pessoas. Por enquanto, faltam informações que esclareçam.