Na continuação do nosso registro acerca da efeméride dos 30 anos da realização da primeira edição do Campeonato Mundial de Janeiro de 1996 trataremos da participação emblemática que o Amazonas teve nesse momento
Mesmo com a derrota, o Amazonas participou de um momento decisivo da história de competição do nosso esporte. Wallid não saiu com braço levantado, mas segue como um dos nomes mais lembrados da arte suave (Divulgação)
Na continuação do nosso registro acerca da efeméride dos 30 anos da realização da primeira edição do Campeonato Mundial de Janeiro de 1996 trataremos da participação emblemática que o Amazonas teve nesse momento de fundação da era moderna do Jiu-Jitsu como esporte de relevância mundial.
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É importante notar que o Mundial de 1996 foi o ponto de partida e consolidação de uma geração estrelada que viria a dominar as faixas-pretas nos anos seguintes, como por exemplo, Saulo Ribeiro (que foi graduado à faixa preta meses antes do evento e também foi medalhista) e Omar Salum, consolidando a hegemonia que o Amazonas sempre apresentou no cenário internacional a partir de 1997.
No primeiro mundial, Paulo Coelho superou entre outros desafios o grande competidor Alexandre Soca no caminho da final
Escolhi escrever sobre três questões que merecem nota pelo legado que deixaram na história da Arte suave desde então, a saber: o domínio amazonense no primeiro pódio da história do esporte, a presença de um faixa preta amazonense vitorioso ao lado do único Gracie campeão naquela edição entre os mais graduados e o inesquecível confronto entre o manauara Wallid Ismail e o carioca Roberto Magalhães.
Toda pessoa em qualquer tempo que pretender falar sobre o primeiro pódio da história dos mundiais de Jiu-Jitsu precisará necessariamente mencionar o nome do Amazonas. Das quatros medalhas colocadas em disputa, três tiveram peito de atletas do Amazonas como destino. Assim, William Couto (como campeão), Rodrigo “Coelhinho” Brandão (como vice) e Cleudo Caldas (com o bronze) se eternizaram na memória da categoria faixa azul, peso galo.
Paulo Coelho e Royler Gracie fecharam a categoria pena na faixa preta. O Amazonas esteve entre os primeiros vencedores da história do esporte nas principais categorias em disputa
Entre os faixas pretas da categoria peso pena, o Amazonas seria protagonista com a incrível performance de Paulo Coelho. Formado inicialmente na tradicional Associação Monteiro, Coelho levou o DNA manauara para o Rio de Janeiro e se tornou um dos principais nomes da Gracie Humaitá. O ápice de sua carreira se deu justamente no Mundial de 1996 quando dividiu a vitória na categoria com seu professor Royler Gracie, uma lenda viva dos mundiais e único membro da histórica família a vencer o evento naquele ano.
Já a derrota do amazonense Wallid Ismail para Roberto "Roleta" Magalhães no Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu de 1996 foi um dos momentos mais comentados da história do esporte e é um marco que redefiniu a estratégia competitiva do Jiu-Jitsu. Roleta, após vencer Wallid, finalizou Luiz "Bebeo" Duarte na final para se tornar o primeiro campeão mundial Meio-Pesado, sendo sua atuação no evento frequentemente citada como um momento em que o Jiu-Jitsu competitivo começou a se afastar da dependência exclusiva da pressão e da força bruta, abraçando a fluidez e a estratégia das guardas modernas.
Mesmo com a derrota, o Amazonas participou de um momento decisivo da história de competição do nosso esporte. Wallid não saiu com braço levantado, mas segue como um dos nomes mais lembrados da arte suave
Muita coisa poderia ser dita ainda sobre as batalhas amazonenses no primeiro mundial da história da arte suave, mas os três acontecimentos acima citados em resumo possuem a força de representar o motivo da nossa terra ser conhecida - assim como nossa coluna - como Um Amazonas de Lutas. Para sempre o gigante estado do Norte será lembrado pelos momentos aqui registrados. OSS!