(Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
A ditadura desumaniza humanos. Deixa sequelas profundas na sociedade e no país onde ganhou abrigo. A Câmara dos Deputados apresentou ao Brasil na tarde da terça-feira (9) uma dessas marcas e um dos terríveis espetáculos do Poder Legislativo.
As regras da Casa foram lançadas no lixão da política. A probidade virou motivo de risadas irônicas por parte dos deputados que juraram respeitar a Constituição. A pauta colocada em votação mostrou o tamanho da pequenez do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) no exercício do cargo.
O episódio do dia 9 soma-se a outros recorrentes na gestão vergonhosa de Motta. Ao acionar a força policial contra parlamentares e jornalistas, o presidente da Câmara escancarou o gozo pela arbitrariedade e a truculência para, à noite, falar que ao agir desse modo faz a defesa da democracia.
Condutas como o conteúdo da pauta dessa sessão e a violência patrocinadas são possíveis porque a cultura ditatorial permanece estranhada nas instituições e na sociedade que nas eleições revela em parcela o perfil preferencial pelo autoritarismo, por defensores da ditadura. São os eleitos que fazem as casas legislativas funcionarem, avançar ou retroceder nas questões fundamentais à população.
A Câmara dos Deputados retrocedeu muito. Constrange os brasileiros e deixa danos que não poderão ser reparados em curto prazo, ao contrário, estimulam a promoção de mais atos que se assemelham ao vandalismo. Deputados são servidores públicos e a Câmara Federal tem 513 que têm muito trabalho sério, responsável e importante a realizar.
Se as instâncias da Câmara perderam a capacidade de gerir, legal e legitimamente, o seu funcionamento e decidiram pela balbúrdia combinada com ataques ao que sustenta a democracia e apoio aqueles que a ferem, é preciso que eleitores e a sociedade civil façamos a nossa parte.
É preciso sim existir e funcionar bem o Congresso Nacional. Os mais velhos sabem o quanto faz mal à nação ter um Congresso fechado. O presidente da Câmara dos Deputados aliou-se na terça-feira aos que pregam nas manifestações da direita radical o fechamento do Congresso, do Supremo Tribunal e a volta da ditadura militar. Nessa sessão de horror, deputados foram chamados de vagabundos bem como brasileiros pobres na sede de alguns parlamentares em garantir privilégios a latifundiários, aos parlamentares foragidos e a anistia daqueles que tramaram um golpe contra o País.
Haverá eleições em 2026, que eleitores possam lembrar do que ocorreu nesta data (9 de dezembro) e refletir sobre uma das suas armas fundamentais: o voto. A qual interesse serve a Câmara dos Deputados cuja legislatura se encaminha para o fim?