OPINIÃO

Os poderes e a violência contra a mulher no Estado do Amazonas

Poderes constituídos têm espaços a serem ocupados por mais ações em defesa dos direitos humanos da mulher

Por Ivânia Vieira
12/03/2026 às 08:04.
Atualizado em 12/03/2026 às 08:06

Mulheres percorreram as ruas do centro de Manaus no domingo, 8 de março, para denunciar violências que Estado não vê (PCBR/AM)

O Amazonas deve respostas objetivas às mulheres. As nascidas no Estado e àquelas vindas de outros lugares para aqui morar, trabalhar, estudar, viver. Todas sob ameaça de serem mais uma vítima fatal no próximo segundo.

A multidão de mulheres que percorreu as ruas do centro de Manaus no domingo, 8 de março, carregou a denúncia norteadora: as violências que o Estado não vê. Uma denúncia, um questionamento e uma decisão de lutar até as respostas serem dadas.

 O perfil político-administrativo do Amazonas tem como impressão digital a violência de gênero. Homens nos postos de poder, como coronéis de barranco ou vestidos de pós-modernos ágeis no uso das redes sociais, deixam evidências em longo processo histórico da compreensão que têm sobre o papel social da mulher, o da subordinação.

A emancipação reivindicada pelas mulheres não encontra recepção positiva pelos detentores dos cargos de poder. De igual modo a autonomia. Ao contrário, os avanços na legislação são resultados diretos das lutas travadas pelas mulheres por direitos civis, pelo fim da violência institucional, doméstica e pela vida com dignidade.

Reconhecer a violência doméstica no Amazonas como endêmica é uma exigência. Está demonstrada na quantidade de casos notificados e substanciados pela subnotificação (foram 1.023 no ano de 2025. Em nível nacional, o Estado ocupou o segundo lugar no ano de 2023, e o terceiro em 2024, de acordo com dados do Ipea/FBSP). Ao fazê-lo, o governo estadual estabelece o primeiro passo para tomar outras medidas, criar meios eficientes de monitoramento e dos prazos às respostas pretendidas.

Prevalece, no âmbito das oficialidades, a política do silenciamento, a estética da misoginia. Quando o movimento de mulheres do Amazonas afirma que o Estado não vê as violências contra a mulher enuncia o descaso, o distanciamento e o abandono governamental à condição de medo, temor, sofrimento e dor que milhares de mulheres vivem. Um governo que solta palavras ao vento e não acolhe, como sintoma grave, o transtorno mental das mulheres.

O legislativo e o judiciário têm corresponsabilidade na manutenção do quadro de violência endêmica contra a mulher. Podem e são convocados a fazer mais, mapear as estruturas internas e identificar onde estão os obstáculos que devem ser enfrentados. Os poderes constituídos têm espaços a serem ocupados por mais ações em defesa dos direitos humanos da mulher e da construção de um Estado sensível e responsável que vê, sente e age para mudar a atual realidade.

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