Em Brasília, o dado passa a valer mais do que discurso ambiental ou social: é munição econômica concreta para quem sustenta que a ZFM não é custo, mas motor de arrecadação, emprego e produção nacional.
(Foto: Agência Brasil)
O faturamento recorde de R$ 227,6 bilhões do Polo Industrial de Manaus em 2025 chegou em boa hora. O número vira argumento pronto, e poderoso, para a defesa da Zona Franca no Congresso, justamente num momento em que o governo federal tenta reorganizar incentivos, discutir reformas e acomodar pressões fiscais. Em Brasília, o dado passa a valer mais do que discurso ambiental ou social: é munição econômica concreta para quem sustenta que a ZFM não é custo, mas motor de arrecadação, emprego e produção nacional.
Fôlego - O crescimento de quase 6% na média de empregos diretos (mais de 131 mil trabalhadores no chão de fábrica) chama atenção pelo volume e pelo contexto. Num cenário nacional de desaceleração industrial e juros altos, o desempenho do PIM indica que a Zona Franca de Manaus segue funcionando como colchão “anticíclico”.
Cautela - Não à toa, o discurso da Suframa passou a enfatizar não só faturamento, mas previsibilidade e continuidade. Significa que mexer demais no modelo, como ocorreu em outros momentos, pode custar caro em emprego e estabilidade regional.
Dependência - Os números também expõem uma velha fotografia: Bens de Informática, Duas Rodas e Eletroeletrônicos seguem puxando quase 60% do faturamento do PIM. O crescimento expressivo das motocicletas e de linhas tradicionais reforça a força do polo, mas mantém o alerta sobre a baixa diversificação produtiva.
Desafio - Embora haja motivos óbvios para comemoração, o desafio estrutural, isto é, reduzir dependência de poucos setores e avançar em inovação de maior valor agregado, continua sendo a conta que ninguém quer apresentar no auge da bonança.
Ceticismo - Políticos experientes ouvidos pelo SIM&NÃO são absolutamente céticos sobre uma eventual aliança entre o governador Wilson Lima (União) e o vice Tadeu de Souza (Avante), direcionada à Eleição 2026, sem o aval do prefeito David Almeida (Avante), mesmo que Tadeu mude de partido.
Holerite - O Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Serafim Corrêa (PSB), sugeriu aos amazonenses que ganham salário de até R$ 5 mil que comparem os contracheques de janeiro deste ano e novembro último, para conferir o impacto da nova regra de cobrança de Imposto de Renda, já em vigor. “Você vai ver que cerca de 400 reais a mais vão cair na sua conta”, registrou.
Consumo - Serafim acrescentou: “Quem ganha não são apenas os assalariados. Quem ganha é o comércio, principalmente o pequeno comércio, porque esse dinheiro a mais na conta de cada um vai virar consumo. Virando consumo, vai gerar emprego, vai gerar novas oportunidades”, disse.
Facinho - O deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) teve um encontro reservado esta semana com o senador Eduardo Braga (MDB). Questionado se, a partir da conversa, ele poderia migrar para as fileiras do partido de Braga, ele respondeu: “Não tem nenhum empecilho. Eu tenho uma afinidade com o senador. Eu o apoiei 2018 e 2022 (na campanha para o Governo). Não tinha dúvida que ele era melhor para o Amazonas do que o Wilson (Lima)”.