Quando o Poder Público retarda ou deixa de desenvolver políticas públicas de combate a violência doméstica e estrutural das mulheres está se afirmando pela conveniência do patriarcado
(Foto: Agência Brasil)
Neste final de semana, 7 e 8 de março, há destaque para a existência das mulheres, suas conquistas, suas agonias e, no caso brasileiro, o femicídio. O volume de material disponibilizado, a ampliação da visibilidade nas questões que envolvem as mulheres são um tipo de comportamento histórico que marca também o posicionamento da mídia global em torno dos acontecimentos.
Os estudos demonstram em números a terrível situação de violência doméstica a que as mulheres brasileiras estão submetidas. Apontam a escalada do feminicídio e a diversificação desse tipo de violência que tem como alvo acabar com a vida das pessoas amadas pelas mulheres (filhos, mãe, pai).As pesquisas, posicionamentos esclarecedores de estudiosas e estudiosos sobre o tema, a luta ferrenha e diária das mulheres em movimento, leis e ações que embasam outras atitudes e maior sensibilidade nas abordagens pela mídia, juntos, não conseguiram alterar o quadro de extrema gravidade no país.
E é nesta data ou neste mês que mais uma vez faz-se a pergunta: por que homens matam as mulheres com as quais convivem? Por que a violência doméstica contra a mulher se mantém? Por que homens, de diferentes idades, sozinhos ou em grupos, se organizam para violar os direitos fundamentais das mulheres, organizar estupros e estupros coletivos? Por que a sociedade brasileira é complacente com a sexualização das crianças? E por que os poderes instituídos demoram tanto em tomar decisões que estabeleçam normas para a atuação das plataformas que ignoram a avalanche de crimes cometidos a partir dos espaços monetizados pelas bigtechs?
É possível estabelecer novos parâmetros e estabelecer uma base de cultivo de uma cultura de respeito, de defesa inegociável da dignidade das mulheres, de todas elas, em todas as idades. Quando parlamentares arrastam medidas nessa direção tornam-se cúmplices da epidemia dos atos de violência de gênero. Quando a Justiça coloca na sua balança pesos desiguais e inaceitáveis, ela demonstra um posicionamento que está longe de ser banido. Quando o Poder Público retarda ou deixa de desenvolver políticas públicas de combate a violência doméstica e estrutural das mulheres está se afirmando pela conveniência do patriarcado por onde a validade da violência é reafirmada e se prolonga.