Crônicas de domingo

Nova cara de Manaus

"Era inadmissível continuarmos sujeitos às condições atuais de acesso aos barcos regionais, obrigando boa parte da população a se submeter a riscos de segurança pessoal"

Robério Braga - Colunista especial de A CRÍTICA
03/10/2026 às 14:32.
Atualizado em 03/10/2026 às 14:32

(Foto: A CRÍTICA)

Foram iniciadas as obras do novo porto de Manaus, na avenida Lourenço da Silva Braga – ele, que foi jornalista destemido, líder sindical, vereador, mas, antes de tudo, marítimo -, rua que ficou conhecida como Manaus Moderna.

Trata-se de projeto audacioso que, pela sua magnitude, atenderá por completo a importantes serviços de transporte de passageiros e cargas tão tradicionais, desde tempos mais antigos, pela rampa da Imperatriz e depois pelo cais flutuante construído pelos ingleses no começo dos anos 1900.

Em uma região cuja malha hidroviária é não só expressiva como indispensável para que se possa alcançar os quadrantes mais distantes do nosso território, a que o homem amazonense está perfeitamente adaptado e pelos rios se realiza na sua plenitude, a iniciativa da construção desse porto moderno se fazia urgente diante da situação calamitosa em que se encontra, pela degradação e pela forma de exploração comercial, o antigo cais do rodoway.

Era inadmissível continuarmos sujeitos às condições atuais de acesso aos barcos regionais, obrigando boa parte da população a se submeter a riscos de segurança pessoal, exploração econômica desmedida e más condições da área portuária e seu acesso. Por isso, a iniciativa de planejar, obter verbas e dar início a essa importante edificação urbana e de interesse fluvial deve ser festejada.

Com investimentos na ordem de 916 milhões de reais, realizada no conjunto de empreendimentos do novo PAC, do Governo Federal, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT, com prazo de dois anos, o porto terá um terminal de aproximadamente 38 mil metros quadrados, acesso gratuito para receber cerca de 3,5 milhões de passageiros por ano, com áreas específicas para passageiros, cargas, encomendas, cais flutuantes, pontes móveis, estacionamentos e ambientes administrativos, incluindo Unidade Básica de Saúde (UBS) de porte 5 e uma base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), portanto, um equipamento de alta qualidade.

Conhecidas as especificações técnicas do projeto e seu alcance operacional, convém destacar outra vertente igualmente relevante: o novo porto vai mudar a cara do centro de Manaus, qualificar esse território que vem abandonado por anos, valorizar a paisagem natural do rio Negro e implicará em elevada demanda de circulação que não só ajudará na recuperação da região na sua totalidade, como trará vida nova ao Centro Histórico.

Afinal, Manaus vai abrir suas janelas para o rio, e, em certo trecho, diante desse moderno porto de serviços, estarão a Usina Chaminé e o Parque Jeferson Péres, símbolos históricos de duas épocas distintas em que os governantes presavam pelo apoio as artes e a cultura, afinal, esse novo porto surge a quatro mãos que têm sido hábeis na defesa dos valores e dos elevados interesses da nossa terra: surge pelas mãos de Eduardo Braga e Omar Aziz, defensores intransigentes da zona franca e propulsores da política cultural que valorizou os mestres das artes e projetou o Amazonas.

Começa a surgir o novo cartão postal de Manaus.

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