OPERAÇÃO Sine Consensu

Amazonprev diz colaborar com investigação da PF e afirma que aposentadorias não correm risco

Fundação informa que dois dos três servidores afastados pela Justiça já haviam sido desligados; operação apura aplicações de R$ 390 milhões em investimentos investigados pela Polícia Federal.

Vinícius Antunes - TV A Crítica
06/03/2026 às 11:52.
Atualizado em 06/03/2026 às 11:52

Em meio ao cumprimento de mandados de busca e apreensão na sede da fundação realizada na Amazonprev na manhã desta sexta-feira (6), a instituição informou que está colaborando integralmente com a investigação da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos da previdência estadual. A instituição também afirmou que não há risco para o pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores.

A investigação, conduzida pela PF na Operação Sine Consensu, apura aplicações financeiras que somam cerca de R$ 390 milhões, realizadas entre junho e setembro de 2024. Segundo os investigadores, os valores teriam sido investidos em Letras Financeiras de instituições privadas, em desacordo com normas de governança e regras federais aplicáveis aos recursos previdenciários.

Durante a operação, a Justiça Federal determinou o afastamento cautelar por 90 dias de três servidores da Amazonprev, que teriam participado diretamente das operações investigadas. Entre eles estão o gestor de recursos, o diretor de administração e finanças e um ex-diretor de previdência da fundação.

No entanto, de acordo com informações repassadas pelo repórter Vinícius Antunes, da TV A Crítica, a própria Amazonprev informou que dois desses servidores já haviam sido desligados da fundação anteriormente, enquanto o terceiro integrava uma comissão ligada ao órgão e já estava em processo de desligamento.

Ainda segundo a fundação, os valores investigados não estão vinculados diretamente ao pagamento de benefícios previdenciários. Em nota, a instituição destacou possuir superávit atuarial de aproximadamente R$ 1,7 bilhão, além de mais de R$ 11 bilhões em recursos acumulados, o que garantiria o pagamento das aposentadorias e pensões atuais e futuras.

As investigações também apontam que alguns investimentos teriam sido realizados sem passar pelo comitê financeiro da instituição, responsável por avaliar e autorizar aplicações desse tipo.

Entre as operações analisadas está uma aplicação de R$ 50 milhões relacionada ao Banco Master, instituição que recentemente teve liquidação determinada pelo Banco Central e é alvo de investigações em âmbito nacional. Outras instituições financeiras também aparecem nas transações investigadas.

Ao todo, a Polícia Federal cumpre sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Manaus e no Rio de Janeiro. Até o momento, não há mandados de prisão.

Durante a ação, agentes federais recolhem documentos e equipamentos que serão levados para a sede da corporação, onde passarão por análise pericial para subsidiar o avanço do inquérito policial.

Informações levantadas pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) sobre movimentações consideradas suspeitas também contribuíram para a investigação. A expectativa é que, após a análise do material apreendido, novas fases da operação possam ser deflagradas. As investigações apuram possíveis crimes de gestão temerária e corrupção relacionados à aplicação dos recursos previdenciários.

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