Eleitores da terceira idade enfrentam limitações de mobilidade e o calor manauara para exercer o direito de escolha nas urnas neste domingo (4)
Maria Auxiliadora destacou a companhia dos familiares durante a votação. Daniel Brandão
Na última hora de votação deste domingo (4), quando o movimento nos colégios eleitorais de Manaus diminuíram o ritmo, a aposentada Maria Auxiliadora, de 70 anos, deixava a Escola Estadual José Bernardino Lindoso, no bairro Mutirão. Sem a obrigação legal de votar, já que a Constituição Federal torna o voto facultativo para analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e maiores de 70 anos, Maria fez questão de preparar o papel com os números dos candidatos e garantir sua participação no pleito.
"Chegando na nossa idade, temos que aproveitar o acompanhamento que as pessoas nos dão e vir votar sim", afirmou ela, acompanhada da neta.
A cena de eleitores da terceira idade presentes nas seções eleitorais repetiu-se em diversos pontos da capital amazonense ao longo do dia. Em uma jornada marcada por altas temperaturas e filas demoradas, esses eleitores deram uma demonstração prática de compromisso com a democracia.
Maria Silva lembrou da época em que as mulheres não podia votar. Foto: Daniel Brandão
Para muitos idosos que vivenciaram diferentes fases da história política brasileira, a ida às urnas vai muito além de uma exigência burocrática. É a reafirmação de um direito conquistado e um gesto pedagógico voltado aos mais jovens.
"Eu vi o país passar por muitos momentos difíceis e lembro de quando a gente não podia escolher quem nos representava", afirmou a aposentada Maria Silva, de 75 anos, moradora da Zona Norte da cidade. "Hoje, enquanto eu tiver saúde, venho votar, até porque serve como prova de vida do meu benefício. Trago minha filha e neto comigo, e eles me ajudam e já voltam também", explica.
Além da consciência política, a rotina de ir votar funciona como um momento de pertencimento social para a população idosa, que busca continuar participando ativamente das decisões que afetam seus bairros e a infraestrutura de Manaus.
Neide Jane abordou a necessidade de melhorias na acessibilidade. Foto: Daniel Brandão
Mesmo diante de possíveis desafios físicos, o público da terceira idade demonstrou disposição. A eleitora Neide Jane Cavalcante, de 64 anos, destacou que o processo de votação foi tranquilo. Ela apontou a necessidade de melhorias na acessibilidade do local para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, sugerindo a disponibilização de cadeiras de rodas.
Sobre sua motivação para votar, para além da obrigatoriedade para a sua idade ainda, ela expressou o desejo de um país melhor para as futuras gerações, citando preocupações com a violência e a segurança de crianças e jovens.
"Me sinto feliz porque o que mais quero na vida é ter um Brasil melhor. Não só para mim, mas pelos meus netos, pela minha geração e por todos os jovens e crianças inocentes que precisam de carinho, amor e cuidados. O que desejo é um Brasil melhor", afirmou, reforçando que espera continuar votando por muito e muitos anos.
A juíza Bárbara Folhadela ressaltou a presença expressiva de idosos no turno matutino da votação. Foto: Daniel Brandão
Para garantir a acessibilidade e o pleno exercício da cidadania durante a eleição, a Justiça Eleitoral estruturou uma rede de suporte com coordenadores que atuam na recepção dos locais de votação, organizando as filas, garantindo a prioridade e orientando os eleitores quanto ao uso da "colinha" ou ao acompanhamento por uma pessoa de sua confiança.
De acordo com a Juíza da 70ª Vara Eleitoral, Bárbara Folhadela, observou-se uma presença expressiva de idosos, sobretudo no primeiro horário da manhã. A magistrada destacou que o respeito ao atendimento prioritário desse público.
"O atendimento aos idosos exige a compreensão e a paciência dos demais eleitores, uma vez que o processo de votação dos idosos pode levar mais tempo, gerando um acúmulo natural de pessoas na espera", explicou a juíza.