O deputado foi ministro do Meio Ambiente do Governo Bolsonaro
Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro e atual deputado federal (Foto: Divulgação)
Ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, o deputado federal, Ricardo Salles, afirmou que os povos indígenas são responsáveis pelo garimpo ilegal na Amazônia. Convidado para um evento da Associação PanAmazônia ontem o parlamentar fez críticas tanto às comunidades indígenas quanto à atual ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. “A indiarada que faz o garimpo. Após sairmos da aldeia, eles prenderam homens e aeronaves da FAB”, disse o ex-ministro.
Convidado para falar sobre o desenvolvimento da Amazônia, Sales que foi ministro de 2019 a junho de 2021, e que, em uma das reuniões ministeriais de Bolsonaro ficou conhecido por afirmar que passaria “uma boiada” de medidas antiambientais, perdeu o posto em meio a o Operação Handroanthus que apurava o seu suposto envolvimento na facilitação de exportação ilegal de madeira da Amazônia para os Estados Unidos e Europa e por conta da disparada do desmatamento na região.
O parlamentar afirmou que uma das dificuldades de combater os crimes ambientais é o envolvimento dessas comunidades. “Essa história de que tem branco forçando, é tudo mentira. Existem alguns. Mas a grande maioria, em todas as casas indígenas que eu fui, quem tava fazendo garimpo ilegal era o índio”, disse o ex-ministro sem apresentar provas.
Questionado sobre o fato de não ter emitido as licenças ambientais da BR-319 durante sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente, Sales atribuiu culpa à atuação de ONGs que, segundo ele, recebem recursos para “impedir o desenvolvimento” com base em questões ambientais.
“Muita gente ganha dinheiro, e bastante dinheiro, com essas campanhas de obstrução do desenvolvimento. São estudos que são contratados e muito bem remunerados para ser contra o desenvolvimento. São ONGs, são acadêmicos, são juristas, gente que ganha muito dinheiro, de fora do Brasil inclusive, mas daqui de dentro também, para atrapalhar o desenvolvimento”, afirmou Salles.
Ele disse que há altos investimentos até de empresários ligados a outras formas de transporte para que projetos de rodovias sejam inviabilizados. Mas não citou nomes.
“Quando você fala às vezes que vai construir uma estrada, você tem grupos de transporte fluvial de barcos que não querem estrada. Quando você vai fazer uma ferrovia, tem um concorrente dessa ferrovia que dá dinheiro para as ONGs e dá dinheiro para determinados grupos para eles criarem empecilhos ou socioculturais e ambientais para atrapalhar isso”.
O deputado disse que outro problema enfrentado pela Amazônia no desenvolvimento é o interesses de outros países em preservar a região como “bode expiatório” que não pode ser desenvolvido.
“Os países ricos destruíram o meio ambiente, não só os recursos naturais, como as emissões de gases de efeito de estufa. E hoje querem dividir essa conta com os países em desenvolvimento, em especial com o Brasil, dizendo: olha, não mexam em nada, porque a gente precisa recuperar o planeta”, afirmou.
Evento busca equilíbrio
O diretor executivo da Associação Pan-Amazônia, Belisário Arce, afirmou que o principal objetivo do debate é alinhar as questões ambientais com o desenvolvimento da Amazônia.
“O ministro Ricardo Salles, ele tem uma pauta política que coincide muito com o que nós defendemos na Associação Pan-Amazônia, que é a defesa do pleno direito das populações da nossa região ao desenvolvimento econômico e à prosperidade. Ele foi ministro do Meio Ambiente e, obviamente, que nós defendemos assim como ele, que esse desenvolvimento econômico tem que estar em consonância com a conservação ambiental. Mas a agenda ambiental, ela não pode se sobrepor à agenda econômica, porque se isso acontece, a região fica engessada.”, destacou.
Ele defendeu o potencial de integração internacional e a possibilidade de transformação do estado com rodovias, integração e também desenvolvimento econômico dentro das florestas.
“A gente precisa fazer avançar o desenvolvimento econômico não só da Amazônia, mas do Brasil, levando em consideração que a Amazônia, pelo seu tamanho, mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, 60% do território nacional, as riquezas que tem, ela precisa se desenvolver não só para o nosso bem, dos povos, das pessoas que aqui vivem, mas também do país”.