Declaração foi dada durante entrega de kits do projeto Mãe Manaura na sede da Semasc
Foto: Clóvis Miranda / Semcom
Um dia após o anúncio do governador Wilson Lima de que cumprirá o atual mandato, abandonando a disputa ao Senado, o prefeito David Almeida (Avante), pré-candidato à cadeira do ex-aliado, garantiu que deixará a prefeitura para concorrer ao governo. Durante a entrega de 400 kits do projeto “Mãe Manauara”, na Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), nesta terça-feira, que: “comigo não tem ré”.
David avaliou que a saída do governador Wilson Lima da corrida eleitoral foi pessoal. “A decisão dele é de foro íntimo, é pessoal dele, ele sabe da situação política dele. Ele tomou a decisão dele de acordo com as convicções dele. Então, é bem diferente das minhas convicções. Eu tomei uma decisão para que a gente possa levar o Estado do Amazonas a um patamar diferenciado. Portanto, cabe a ele, somente a ele, responder o porquê da sua desistência”, disse.
Em ritmo de campanha, ele disse esse foi o último evento da pasta que ele participa como prefeito e ressaltou os programas sociais de sua gestão. Citou o Prato do Povo, Mãe Manauara, Leite do Meu Filho, a ampliação do SOS Funeral, além da criação do primeiro albergue e da Casa de Passagem. “Nós vamos deixar um legado significativo para o futuro prefeito Renato Júnior no que nós implementamos na nossa gestão”, disse.
Na segunda-feira, Wilson Lima, em evento que contou com a participação de parlamentares e prefeitos do interior do Amazonas, anunciou que ficará no cargo até o fim do mandato, em 5 de janeiro de 2027. A eventual renúncia deixaria o governo nas mãos de Tadeu de Souza (PP), que ascendeu ao cargo pelas mãos de David Almeida, na aliança que levou à reeleição de Wilson de 2022. Esse era um dos cenários apontados como favoráveis à candidatura de David Almeida, que contaria com as duas máquinas na corrida ao governo, o que foi abortado.
Hoje em trincheira oposta, David atribuiu o rompimento com o governador ao descumprimento de convênios e acordos firmados ao longo das duas gestões, como a questão do Passe Livre e a execução de algumas obras viárias.
“Eu acho que um dos problemas do governador Wilson foi que ele não cumpriu muito do que ele acordou com Manaus. Manaus deu duas oportunidades a ele. Ele fez alguns convênios com a prefeitura. Não honrou a construção dos viadutos. O passe livre estudantil, ele encerrou. E isso cria um impacto muito grande nas pontas da prefeitura. A prefeitura não vai descontinuar o programa do passe livre estudantil estadual. É uma despesa alta, mas já conversei com o Renato, nós vamos manter”, disse.
O prefeito, que já anunciou que deixará o comando do município até o dia 4 de abril, prazo-limite fixado pelo calendário eleitoral, para concorrer ao governo, disse que as supostas ausências de Wilson do Estado seriam um dos motivos do desgaste dele frente ao eleitorado. “E eu acredito que, em função desses programas, dessas decisões tomadas por ele, o desgaste foi muito grande. Também, não estou dizendo que foi esse o motivo. Estou dizendo que isso aí contribuiu porque o desgaste é grande”, afirmou o prefeito.
Sobre as possibilidades que se abrem na briga pelas duas vagas ao Senado, o prefeito também falou sobre a candidatura de Marcos Rotta. “As possibilidades agora se ampliam. O Marcos já era um candidato competitivo no primeiro e no segundo voto. Sem dúvida que a gente vai conversar futuramente. Ajustes serão feitos para que a gente possa oferecer uma alternativa ao Senado com o Marcos Rotta”, disse.
Até o dia 9 de fevereiro, na abertura dos trabalhos da Câmara Municipal de Manaus (CMM), David e Tadeu de Souza aparentavam estar alinhados politicamente. Três dias depois, porém, o cenário mudou: no dia 12, o vice-governador oficializou sua saída do Avante e filiou-se ao Progressistas (PP), passando a integrar o grupo político de Wilson Lima.
Durante o anúncio feito por Wilson Lima, nesta segunda-feira, surgiram questionamentos sobre um eventual apoio à candidatura de Tadeu de Souza ao governo. O governador, no entanto, deixou indefinido.
“Ainda não conversei com o Tadeu de Souza sobre isso. Essa é uma decisão natural dele e, no momento apropriado, a gente conversa sobre isso. Mas o Tadeu de Souza é alguém que tem me ajudado muito nas suas ações, principalmente na área da saúde”, afirmou o governador.
Hoje, ao ser perguntado se retomaria a relação política com Tadeu, David negou qualquer possibilidade. “Você reagruparia? Então tá aí a sua resposta”, disse o prefeito.