eleições 2026

Candidatos ao Governo do AM divergem sobre propostas climáticas

Planos entregues ao TSE mostram divergências entre foco em saúde, transição energética e uso de inteligência artificial

Omar Gusmão
politica@acritica.com
12/09/2026 às 08:50.
Atualizado em 12/09/2026 às 08:50

Comunidade ribeirinha enfrentando o período de estiagem e baixo nível dos rios no interior do Amazonas (Foto: AFP)

Não parece. Mas todos os candidatos ao governo do Amazonas têm propostas voltadas ao meio ambiente nos planos de governo que submeteram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nem todos, contudo, tratam diretamente de crise climática, calor extremo, aquecimento global e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, temas que afetam diretamente a população amazonense, que literalmente vem sentindo na pele o efeito da emergência climática global.

Ainda que existentem, as propostas sobre crise climática e aquecimento global dificilmente são incluídas no discursos e nas campanhas dos candidatos, o que as invisibiliza e as torna inócuas, além de totalmente desconhecidas do eleitor.

As abordagens específicas de cada candidato mostram que cada um trata a questão à sua maneira. Enquanto Isael Munduruku (Federação Psol Rede) e Roberto Cidade(União pelo Amazonas) tratam mais diretamente dos efeitos dos eventos extremos sobre a população, David Almeida (Pra Cima Amazonas) propõe uma política de adaptação às mudanças climáticas. Já Omar Aziz (Força Amazonas) concentra-se na redução das emissões e transição energética.

Questão de saúde

Neste sentido, o candidato Isael Munduruku se destaca, ao tratar a crise climática como questão de saúde pública e se referir especificamente a calor, fumaça, secas e cheias, além de doenças relacionadas ao clima.

Dentre outras propostas para o meio ambiente que constam em seu plano de governo, na agenda climática, o candidato propõe um Plano Estadual de Saúde e Clima e um observatório para monitorar fumaça, calor, qualidade da água e riscos epidemiológicos, além de medidas para garantir a continuidade de serviços de saúde em períodos de eventos extremos.

Munduruku é o único, entre os candidatos, que coloca explicitamente fumaça, calor, secas e cheias como problemas que afetam a saúde da população. Além disso, propõe medidas bastante concretas de adaptação, como alertas, ambientes de ar limpo, continuidade de tratamentos médicos durante secas e cheias, refúgios climáticos e infraestrutura de energia e água.

Cheias e estiagens

Roberto Cidade também dá importância à agenda climática em seu plano de governo. Ele propõe a criação de um Plano Permanente de Enfrentamento às Cheias e Estiagens, monitoramento climático, sistemas de alerta, logística humanitária e infraestrutura adaptada às mudanças climáticas.

Entre as medidas propostas por Cidade estão o fortalecimento da Defesa Civil, ampliação do monitoramento climático e sistemas de alerta e apoio à produção sustentável, ao manejo florestal, à pesca e ao extrativismo.

O programa também prevê infraestrutura adaptada a eventos extremos e maior captação de recursos nacionais e internacionais, além do fortalecimento do Fundo Estadual de Meio Ambiente e dos mecanismos de pagamento por serviços ambientais para financiar ações de conservação e adaptação climática.

David Almeida apresenta uma proposta mais estruturada de adaptação climática, incluindo riscos de desastres, segurança hídrica e alimentar. Propõe uma política estadual de prevenção e combate a queimadas e desmatamentos, combinando educação ambiental, fiscalização, controle social, inteligência artificial e recursos tecnológicos.

O plano também prevê medidas de eficiência energética e uso de energia limpa na administração pública, além de um Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas, com ações voltadas à prevenção de desastres, segurança hídrica e alimentar e soluções baseadas na natureza. Também fala em transição climática e resiliência amazônica.

Monitoramento por satélites e drones

Nos planos de governo de alguns candidatos, a questão da crise climática é tratada de maneira indireta ou simplesmente está ausente. Maria do Carmo Seffair (Mudar é Urgente), por exemplo, trata basicamente de desmatamento, queimadas e monitoramento por satélites e drones. Em seu plano de governo, há pouca elaboração específica sobre calor extremo, adaptação ou impactos dos eventos climáticos.

Uma de suas propostas é justamente “modernizar” o licenciamento ambiental do Amazonas para reduzir a burocracia e dar maior previsibilidade aos empreendimentos, com adequação dos procedimentos estaduais à nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, apontada por ambientalistas como desastrosa.

Gilberto Vasconcelos (PSTU) também trata do tema de forma indireta: apresenta uma discussão ampla sobre a crise climática, seus impactos e a necessidade de enfrentar o modelo econômico que provoca degradação, mas as propostas concretas estão mais concentradas em desmatamento, fiscalização, territórios e recuperação de rios.

Cabo Daciolo não aborda o tema mudanças climáticas, concentrando suas propostas de política ambiental para o Amazonas no fortalecimento do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb), com ampliação da presença da unidade em rios, lagos, áreas rurais, florestas e regiões de fronteira.

Transição energética

A transição energética, descarbonização e redução do uso de diesel, são as abordagens escolhidas por Omar Aziz para tratar da questão das mudanças climáticas. Entre as medidas propostas estão a ampliação de fontes renováveis, especialmente energia solar, em comunidades isoladas do interior para reduzir a dependência de geradores a diesel, além do monitoramento de emissões e da criação de corredores logísticos sustentáveis.

O candidato, portanto, aborda mais a mitigação, sobretudo pela transição energética e redução de emissões, do que a adaptação aos efeitos já sentidos pela população. Seu plano de governo trata ainda de ações da Defesa Civil diante de queimadas e crises climáticas.

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