A uma semana da primeira rodada da eleição, cientistas políticos avaliam que estratégias candidatos deverão adotar daqui para a frente
Candidatos ao governo do Amazonas entram em semana decisiva (Foto: Reprodução)
A uma semana das eleições marcadas para 4 de outubro de 2026, os candidatos ao governo estadual e ao Senado deverão acentuar suas campanhas eleitorais tanto nas ruas quanto nos meios de comunicação. O fato de a maioria das pesquisas apontar um cenário acirrado, na avaliação do cientista político Helso Ribeiro do Carmo, deve fazer com que os políticos apostem em múltiplas frentes para ganhar o eleitorado amazonense.
“A internet é um terreno vantajoso porque evita longos deslocamentos, mas mesmo assim penso que a TV vai contar, o aperto de mão vai contar, a passeata de rua vai contar, porque eles estão muito parelhos. Às vezes, um toque de mão acaba fidelizando eleitor que gosta. Tudo isso recheado de propostas, porque não adianta falar mal de A, B, C e achar que só isso vai garantir o voto”, disso.
As atenções dos candidatos também deverão se dividir entre Manaus e o interior. Embora a capital concentre 52% do eleitorado do Amazonas, os outros 61 municípios costumam garantir a diferença necessária para definir a vitória eleitoral. Helso Ribeiro apontou ainda a necessidade de olhar para os segmentos do eleitorado em meio à possibilidade de pouca diferença de votos entre os candidatos.
“Eu penso que o público religioso, o católico, evangélico, o pessoal de terreiro, tudo isso vai ter que ser procurado e você vai ter que estar pescando votos em todos os segmentos. Os jovens, o eleitor abaixo de 18 anos, são poucos, mas tem que ir. O eleitor abaixo de 27 anos já é um somatório melhor. São múltiplos ataques que os quatro vão ter que ter para segurar essa última semana”, completou.
Atitudes
O cientista político Carlos Santiago estima que mesmo candidatos que estejam pontuando bem nas pesquisas, como o senador Omar Aziz (PSD), não poderão se descuidar e ficar de braços cruzados aguardando a chegada do segundo turno. Segundo ele, cada um dos concorrentes deverá adotar uma receita específica para atrair o eleitor.
“O maior desafio de Roberto Cidade é desvincular o nome dele da figura do ex-governador Wilson Lima por conta da alta rejeição dele, que é seu grande correligionário, e assim buscar avançar também no eleitorado da cidade de Manaus. Maria do Carmo tem dificuldade de unir o Partido Liberal, tem que continuar apostando no apoio da família Bolsonaro e fazer um apelo ao eleitorado do interior para que possa crescer e garantir a ida ao segundo turno”, disse.
No caso do ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), Santiago lembra que ele enfrenta dificuldades na capital e tem tido problemas de deslanchar em municípios do interior. Estando a tão pouco tempo do primeiro turno, Almeida deve ter dificuldade em reverter o cenário, mas talvez haja uma saída: estar o mais próximo possível de Renato Junior (Avante), seu antigo vice e atual prefeito de Manaus.
“Um dado muito interessante desse momento é que todas as candidaturas principais estão apostando na tradicional campanha de rua, com gastos milionários envolvendo comícios, caminhadas, motociatas, carreatas, bandeiraços nas esquinas, tudo para conquistar o eleitor. Mas não é desprezível também a atuação de todos nas redes sociais”, elencou.
O cenário nacional também tem potencial para influenciar o pleito amazonense. Com a polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador fluminense Flávio Bolsonaro (PL), os candidatos apoiados por cada um – Omar Aziz e Maria do Carmo, respectivamente – podem ter uma vantagem na reta final. Carlos Santiago avaliou, contudo, que a máquina pública também pode beneficiar David Almeida e Roberto Cidade.
“No entanto, se Roberto Cidade não for ao segundo turno, assim como David Almeida, significa uma derrota para eles que possuem apoios das máquinas públicas estadual e municipal”, concluiu.