Homenagem

Débora Menezes propõe título de cidadão do AM a Nikolas Ferreira

Proposta foi apresentada pela deputada após Delegado Péricles apresentar proposta de título a Flávio Bolsonaro

Lucas dos Santos
09/02/2026 às 12:08.
Atualizado em 09/02/2026 às 12:08

(Foto: Reprodução)

Mesmo sem nenhuma contribuição para o Amazonas, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pode receber um título de cidadão do estado nos próximos meses. A proposta foi apresentada pela deputada estadual Débora Menezes (PL) e protocolada no sistema da Assembleia Legislativa somente um dia após o deputado Delegado Péricles (PL) também propor um título ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na justificativa da proposta, Débora Menezes elenca como razões para o título de cidadão o fato de Nikolas Ferreira ser “uma das principais vozes da nova geração da direita no Brasil, assumindo protagonismo na defesa de valores conservadores, da liberdade individual, da responsabilidade fiscal, da segurança jurídica e aos princípios constitucionais”.

A parlamentar afirma que a atuação do deputado mineiro no Congresso Nacional repercute no Amazonas e relembrou uma visita dele em 2024 no Centro de Convenções Vasco Vasques para uma palestra onde incentivou a participação política dos jovens cristãos.

“Diante de sua notória relevância política, de sua expressiva influência na consolidação da direita brasileira e de sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e representativo no Estado do Amazonas, mostra-se justa, legítima e plenamente adequada a concessão do Título de Cidadão do Amazonas”, concluiu Débora Menezes.

Antes dela, o deputado Delegado Péricles apresentou um texto para dar o mesmo título a Flávio Bolsonaro, alegando que “a influência e o alinhamento do senador com os valores e anseios de uma parcela significativa da população amazonense são notórios”. A homenagem foi proposta mesmo com o histórico de ataques de Flávio Bolsonaro contra a Zona Franca de Manaus (ZFM) no contexto da reforma tributária.

Embora Nikolas Ferreira nunca tenha citado a ZFM por considerar um tema complexo, segundo discurso do próprio durante a campanha do deputado Capitão Alberto Neto (PL) a prefeito de Manaus em 2024, o político de Minas Gerais atuou ativamente contra a reforma tributária, a qual garantiu a manutenção dos diferenciais que sustentam o Polo Industrial de Manaus (PIM). O posicionamento se manteve na votação da regulamentação da reforma.

 Ficha

 Extremamente ativo nas redes sociais, o deputado Nikolas Ferreira possui um histórico controverso desde que era vereador em Belo Horizonte. Durante a pandemia de Covid-19, o político foi barrado de entrar no Cristo Redentor por não apresentar o comprovante de vacinação contra a doença. Na época, ele afirmou que não era contrário à vacina, mas contra “medidas irracionais e segregacionistas”, criticando o passaporte sanitário.

Nikolas Ferreira também é acusado de espalhar desinformação sobre uma portaria da Receita Federal que ampliava a fiscalização sobre fintechs, obrigando bancos digitais a enviarem informações a respeito de transações acima de R$ 5 mil. O deputado fez um vídeo em 2025 afirmando que o governo Lula (PT) estava planejando tributar todas as operações do sistema de pagamento. Devido à má repercussão, a medida foi revogada.

Meses depois, a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema entre a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e fintechs sediadas na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, usadas pra lavar dinheiro e compra de bens de luxo.

O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, afirmou na época que as fake news espalhadas por Nikolas Ferreira e aliados “ajudaram o crime organizado”, que movimentou mais de R$ 52 bilhões em quatro anos utilizando as fintechs.

“Essas fake news foram tão fortes que, apesar de todo o esforço da Receita Federal, ajudada pela mídia tradicional, não conseguimos reverter as mentiras. Tivemos que dar um passo atrás e revogar a instrução normativa. E as operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras: o crime organizado”, disse.

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