Candidato à presidência visitou a planta fabril da Honda, em Manaus, na manhã desta sexta-feira (11)
O candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, visitou a fábrica da Honda, em Manaus nesta sexta-feira (11) (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) repetiu uma informação falsa de que 300 empresas teriam trocado o Brasil pelo Paraguai devido à alta da burocracia e impostos durante “o atual governo”. A fala à imprensa ocorreu durante sua visita à planta fabril da Honda, no Distrito Industrial de Manaus, na manhã desta sexta-feira (11).
O candidato afirmou que, após conversar com o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), candidato ao Senado, se comprometeria “100% com a Zona Franca de Manaus”, ressaltando que, sem o modelo econômico, empresas deixariam o Brasil pelo país vizinho.
“É muito importante que exista isso aqui, porque senão a saída acaba sendo para o Paraguai, como acontece hoje pelo atual governo. São tantos impostos, tanta burocracia, tantos problemas, tanto desincentivo para quem quer empreender no Brasil, já perdemos mais de 300 indústrias do Paraguai. Eu vim aqui para me comprometer com a continuidade e trazer mais prosperidade ainda para essa região, não apenas nessa parte da Zona Franca”, disse.
A informação de que quase 300 empresas trocaram o Brasil pelo Paraguai durante a terceira gestão do presidente Lula (PT), bem como sob a direção de Fernando Haddad (PT) no Ministério da Fazenda, circulou nas redes sociais entre maio e junho deste ano. As postagens se basearam em uma reportagem publicada no portal Poder360, que apontava migração de 232 empresas desde 2007 em virtude da Lei de Maquila.
O chamado regime de Maquila é uma legislação paraguaia criada em 1997 que prevê menor carga tributária e menos direitos trabalhistas no país, permitindo que empresas que atuem pela lei importem produtos pagando impostos reduzidos e com empregados tendo menos direitos trabalhistas.
Visita do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro em Manaus
Dados da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai (Cebras-PY) mostram que 318 empresas de diferentes nacionalidades operam sob a Lei de Maquila, com o auge de aprovações ocorrendo entre 2016 e 2020, quando 45 projetos empresariais brasileiros foram aprovados. Na época, o Brasil passava pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com o vice Michel Temer (MDB) assumindo até 2018, ano em que Jair Bolsonaro (PL) foi eleito.
Procurada pela agência de checagem Aos Fatos, a Cebras-PY ressaltou ainda que não era correto dizer que empresas teriam mudado de país, mas apenas que teriam abertos fábricas no Paraguai para produzir sob o regime de Maquila, mantendo suas matrizes em seus países de origem.
Questionado sobre qual seria seu tratamento em relação à Zona Franca de Manaus em um eventual governo, Flávio Bolsonaro afirmou que investiria em novos segmentos no modelo, sugerindo a instalação de data centers e uso de inteligência artificial.
O candidato ressaltou ainda o potencial do Amazonas em garantir a soberania na questão dos fertilizantes, “fundamentais para poder levar alimento para a mesa de milhões de brasileiros. O Amazonas pode ser também esse grande polo de fabricação”. Além disso, o presidenciável falou do potencial turístico da região e prometeu investimento nas rodovias do Amazonas, onde ainda existiriam “muitas estradas que são de terra”.
“Todo mundo se comprometendo aqui, na medida do possível, asfaltar essas estradas para gerar conexão entre as cidades, inclusive entre o Amazonas e Porto Velho, outras rodovias federais, no caso do governo federal. E no caso do governo estadual, também um asfaltamento para conectividade dessas cidades, do escoamento da produção, do deslocamento das pessoas para trazer desenvolvimento ao estado”, disse.
Flávio Bolsonaro também foi questionado sobre a queda do sigilo das investigações do Banco Master, a qual revelou que o senador vem sendo investigado desde julho por suposta prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme Dark Horse, biografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O candidato afirmou estar tranquilo e que estariam “requentando” informações.
“Exatamente no momento em que nós ultrapassamos em todas as pesquisas o império do mal, que é o lado de lá. Essa é uma eleição presidencial, não é novidade pra ninguém, eles vão tentar fazer de tudo para desestabilizar, para inventar coisas onde não tem. Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total nesse assunto”, afirmou.
Flávio Bolsonaro repetiu que o filme foi financiado com recursos privados e acusou pessoas da gestão de Lula de beneficiar o Banco Master, se dizendo a favor de que todo os sigilos do processo fossem levantados.
“Mostra tudo pro povo o merece saber e diferenciar quem tá certo, que é o meu caso, de quem tá errado, que é o caso do governo. Então, eu não tenho nada a reclamar sobre isso, eu acho que tem que dar transparência”, completou.
Na manhã desta sexta, documentos da Polícia Federal liberados após a queda de parte do sigilo do caso Banco Master apontam que o candidato atuou diretamente junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas tratativas relacionas ao filme Dark Horse. A PF recomendou aprofundar a investigação para esclarecer qual foi exatamente o papel de Flávio, bem como do deputado federal Mario Frias (PL-SP) e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O processo onde Flávio Bolsonaro figura na lista de investigados está sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), indicado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.