Em Manaus, candidato recua de críticas anteriores à Zona Franca, fala em asfaltar estradas sem citar a BR-319 e critica Alexandre de Moraes, sem mencionar caso Master
(Foto: Reprodução/YouTube)
Durante comício em Manaus, na noite desta sexta-feira (11), o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) recuou das críticas à Zona Franca de Manaus (ZFM), ao chamá-la de “orgulho nacional”, prometeu asfaltar estradas sem citar a BR-319 e fez ataques ao ministro Alexandre de Moraes, sem mencionar o Banco Master, ao qual ele próprio é ligado em investigação da Polícia Federal sobre financiamento irregular de filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
O evento do Partido Liberal, que também contou com a participação da candidata do partido ao governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair, e do nome para o Senado, Alberto Neto, lotou o Ducila Festas e Convenções, na zona oeste da capital amazonense. Também estavam presentes candidatos a deputado estadual e federal.
Um dos momentos de maior euforia do público durante a fala de Flávio Bolsonaro foi quando o candidato elogiou a Zona Franca de Manaus, criticada e ironizada por ele como um novo “Vale do Silício” em 2023, durante a votação de um parecer da reforma tributária no Senado.
“Zona Franca de Manaus é muito pouco. É Zona Franca do Brasil, porque ela vai ser do Brasil inteiro. A Zona Franca é 100% orgulho nacional e eu, junto com a professora Maria do Carmo, a gente vai melhorar ainda mais a Zona Franca. Vamos atrair novos empreendimentos da parte de tecnologia, data center, para os nossos jovens se qualificarem e poderem trabalhar aqui”, prometeu.
Na manhã desta sexta-feira, o candidato visitou a fábrica da Moto Honda, maior empregadora do Polo Industrial de Manaus, vestindo camisa com a frase “100% Zona Franca de Manaus”. A visita foi criticada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), que o acusou de ser contra o modelo.
Durante o comício, Flávio Bolsonaro também prometeu “asfaltar um monte de estrada que hoje é só terra batida”, sem citar a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. A rodovia tem sido alvo de promessas de presidentes eleitos, inclusive de Jair Bolsonaro, mas segue sem recuperação total.
“Onde tem estrada, vamos colocar asfalto. Não é isso? Vamos trabalhar. Estão felizes?”, perguntou Flávio ao público presente.
Flávio Bolsonaro, investigado pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento do filme Dark Horse, com recursos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, criticou o ministro Alexandre de Moraes, também citado em apurações envolvendo o banqueiro, mas não mencionou o caso.
“Eu vou proteger o STF de pessoas como o Alexandre de Moraes. A laranja podre não pode contaminar toda aquela Corte. Vamos resgatar a credibilidade do Poder Judiciário, porque o STF não é Alexandre de Moraes. O Judiciário não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes”, afirmou.
Além de ter seu nome envolvido com o de Daniel Vorcaro, Moraes também é o ministro que relatou o processo que culminou com a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
O candidato do PL afirmou que o próximo presidente da República deverá indicar ao menos cinco ministros ao STF. A mudança na Corte é vista por seu grupo político como forma de abrir caminho para a anulação das penas impostas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro também apostou em um discurso forte de segurança, incluindo a promessa de reduzir a maioridade penal para 16 anos e abrir mais de meio milhão de vagas em presídios. Os detentos, segundo ele, também precisarão trabalhar para custear as próprias despesas.
Ao lado do candidato ao Senado Alberto Neto, o presidenciável disse que em seu governo os membros de facções criminosas serão presos ou mortos. “PCC, Comando Vermelho e milícia estão tomando ruas, cidades, estados. Tem Comando Vermelho até garimpando ouro na Terra Yanomami, em Roraima. Esses narcoterroristas não vão ter vida fácil. Quero avisar que a partir de janeiro do ano que vem, ou vocês vão ser presos ou neutralizados”, afirmou.