Líder indígena foi o único candidato filiado a um partido do campo progressista que restou na disputa
(Foto: Junio Matos/ A Crítica)
Com a saída de Marcelo Ramos (PT) da disputa pelo Senado, o pré-candidato Ismael Munduruku (Rede) pode herdar os votos dos eleitores de esquerda no Amazonas. O líder indígena é o único candidato restante do chamado campo progressista, filiado à Rede Sustentabilidade, que participa de uma federação com o Partido Socialismo e Liberdade (PSol). Marcelo Ramos teve sua candidatura a senador limada pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e decidiu não concorrer a outros cargos políticos.
Além do petista, outra candidatura potencialmente ligada ao campo progressista também foi retirada. A advogada Chris Melchior era pré-candidata ao Senado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), mas concorrerá a deputada federal após um pedido da direção nacional da sigla, comandada pelo prefeito de Recife, João Campos. Com isso, os candidatos progressistas que teriam estrutura partidária competitiva ficaram de fora da disputa.
Embora não faça parte da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Amazonas, que apoia as candidaturas de Omar Aziz (PSD) ao governo e Eduardo Braga (MDB) ao Senado, a federação PSOL/Rede caminha junto ao PT na disputa federal, o que traz para Ismael Munduruku o potencial de abocanhar o eleitorado lulista.
O cientista social Israel Pinheiro, doutor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), avaliou que esse crescimento dependerá muito da base que o pré-candidato consiga reunir no estado do Amazonas. Como cacique geral da comunidade Parque das Tribos, Ismael Munduruku tem seu eleitorado concentrado em Manaus, mas também poderia contar com o apoio do eleitorado indígena no interior.
Ainda assim, existe a possibilidade de os eleitores optarem por outras candidaturas localizadas mais à direita do espectro político. Além de Eduardo Braga, os principais candidatos na disputa pelo Senado são o ex-governador Wilson Lima (União), o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) e o atual senador Plínio Valério (PSDB). Outro nome de centro-direita era o ex-vice-prefeito de Manaus Marcos Rotta (Avante), que também deixou a disputa.
O professor Israel Pinheiro ressalta que a escolha por candidatos da direita também pode ser influenciada pelo financiamento que cada candidato receberá na disputa. Sendo políticos de partidos maiores, os direitistas terão à disposição verbas para descolamentos no interior, facilitando o encontro pessoal com o eleitorado, e construir uma propaganda fácil de se espalhar.
A federação PSOL/Rede marcou sua convenção para este sábado, 1º de agosto, por volta das 9h da manhã no Parque das Tribos. Além de Ismael Munduruku, o grupo deverá confirmar Isael Munduruku (Rede) ao governo estadual e suas chapas de deputados estaduais e federais.