Pré-candidato à presidência da República, ao criticar aumento de imposto de importação promovido pelo governo Lula, disse que Brasil não produz smartphones
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O secretário de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) do Amazonas, Serafim Corrêa, desmentiu o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República, que disse não saber de produção de smartphones no Brasil. Ele criticava o aumento do Imposto de Importação para mais de mil produtos, promovido pelo governo Lula.
“Ele [Fernando Haddad] está alegando que está protegendo a indústria nacional, mas pelo que eu saiba o Brasil não produz smartphones”, afirmou o filho do ex-presidente Bolsonaro em uma coletiva na quarta-feira (25).
Em resposta, Serafim disse que a afirmação se trata de uma mentira. “O Brasil produz, sim, smartphones, e sabe onde? Aqui na Zona Franca de Manaus. No ano passado, foram 11 milhões de aparelhos com faturamento de mais de R$ 14 bilhões”.
A Zona Franca é, hoje, lar da segunda maior fábrica da Samsung no mundo, atrás apenas da Coreia do Sul, país sede da empresa. Além dos celulares, a gigante produz em Manaus smartwatches, buds (modelo de relógio inteligente), condicionadores de ar, televisões e monitores.
Em 2025, a empresa a Vivo Mobile, uma marca chinesa que não tem relação com a operadora de telefonia de mesmo nome, anunciou sua chegada ao Brasil sob a marca Jovi. A empresa já iniciou a produção de seus primeiros smartphones na Zona Franca de Manaus.
Também no ano passado a chinesa Realme anunciou a abertura de sua primeira fábrica de smartphones nas Américas, localizada na Zona Franca de Manaus, no Amazonas. A unidade tem a capacidade de produzir 20 mil unidades de celulares por dia e gera cerca de 500 vagas de emprego.
Argumento
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, justificou na quarta-feira o aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones e equipamentos industriais. Segundo ele, a medida tem caráter regulatório e busca “proteger a produção nacional”.
De acordo com Haddad, mais de 90% dos itens afetados são fabricados no Brasil, o que diminui o impacto sobre o consumidor. “Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional”, afirmou. A medida tem provocado forte repercussão negativa nas redes sociais e passou a ser alvo de críticas da oposição ao governo.