Decisão de André Mendonça ocorre um dia antes de julgamento que vai analisar pedido de abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes
(Foto: Banco Master/Divulgação)
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de um processo que investiga a rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão ocorreu após determinação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado pela retirada do sigilo que ainda era mantido sobre o processo.
Fachin foi acionado pelo ministro Alexandre de Moraes, que considerou essencial tornar pública a petição sobre os pagamentos de Vorcaro antes do julgamento marcado para esta terça-feira (15). Na sessão, o plenário do STF vai analisar o pedido de abertura de investigação envolvendo Moraes.
Com a decisão, foram retirados os segredos judiciais de 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro.
Entre os materiais que serão analisados pelo STF está um relatório da Polícia Federal (PF) com 52 mensagens que os investigadores afirmam terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.
O conteúdo foi recuperado do celular apreendido do ex-banqueiro e reúne mensagens trocadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso preventivamente.
Em uma das mensagens, segundo a PF, Vorcaro teria compartilhado com Moraes um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro teria buscado informações sobre uma operação da PF que poderia resultar em sua prisão.
As respostas atribuídas a Moraes não foram recuperadas pelos investigadores.
O relatório se tornou público no início de setembro, quando Mendonça, relator do caso Master no STF, também havia retirado o sigilo de parte do material. A medida provocou um confronto entre ministros da Corte.
A PGR pediu ao Supremo a anulação do relatório da PF, alegando possíveis irregularidades na forma como o material foi produzido. Segundo o órgão, Mendonça não poderia ter autorizado o avanço de investigações envolvendo um ministro do STF sem comunicar previamente o plenário.
Moraes reagiu e divulgou um documento que classificou como um “relatório de inteligência” da PF. O material apontaria suposto direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça, com o objetivo de atingir adversários políticos.
O documento, porém, não possui assinatura nem timbre da Polícia Federal e traz na capa a indicação de que foi produzido como conjectura e “sem valor probatório”.
Moraes também pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O julgamento desse pedido foi marcado por Fachin para 23 de setembro.