Combustível

Tadeu de Souza diz que alta da gasolina está sendo acompanhada pelo Governo

Vice-governador afirmou que se o estado abrir mão de receitas do ICMS afetará serviços essenciais

Emile de Souza
24/03/2026 às 15:45.
Atualizado em 24/03/2026 às 15:45

Foto: Paulo Bindá

O vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, afirmou que a alta da gasolina é um tema sensível de debater, mas que está sendo acompanhado pelo Governo. O vice esteve presente na 3ª edição do Amazonas Óleo, Gás & Energia, realizado pela Secretaria de Estado de Energia, Mineração e Gás (Semig) e o Sebrae Amazonas. 

“A gente tem, especificamente dentro da Sefaz, um comitê que trata de temas sensíveis, como a reforma tributária, e que está acompanhando junto ao Ministério da Fazenda. Há uma tratativa desse setor da Sefaz de tentar inviabilizar, de certa forma, a participação dos estados nessa composição do preço, pois isso vai reduzir receita. Não há uma necessária compensação por parte do Governo Federal. É um tema bem sensível”, disse o vice-governador. 

A gasolina no Amazonas tem colocado o estado entre os mais caros do país. Em Manaus, o litro da gasolina comum já chega a cerca de R$ 7,29, podendo chegar a R$ 7,79 se aditivada. 

Com esse cenário, Tadeu de Souza ressaltou, ainda, que se o estado reduzir a arrecadação do ICMS, impactará diretamente a oferta de serviços públicos essenciais.

“Especificamente sobre o óleo diesel, a gente fica dependendo do Governo Federal se vai subsidiar ou não. Eles estão querendo que os estados participem diretamente com o ICMS e para isso não atingir diretamente o custo do Brasil. Para a gente é complicado, não temos como abrir mão de receita, muita coisa é vinculada a serviços públicos correntes”. 

O vice-governador também destacou a importância do evento para buscar alternativas energéticas que o estado possa, futuramente, alcançar descarbonização e operações mais sustentáveis. 

“A gente tem uma dependência muito grande do diesel aqui no Amazonas por conta dos 53 municípios que hoje as termelétricas funcionam à diesel ou a gás. O impacto é muito grande no Brasil, principalmente as operações no agro, no centro-oeste, no sudeste, estão impactadas com o aumento do óleo diesel. E esse evento aqui de óleo e gás é o momento da gente exatamente pensar o Amazonas do futuro”, ressaltou. 

Gás é uma alternativa

Diante do cenário de aumento dos preços dos combustíveis fósseis e das questões geopolíticas envolvendo o petróleo, o secretário da Semig, Ronney Peixoto, destacou que o gás natural já se apresenta como uma alternativa viável para determinadas atividades no Amazonas.

“A gente tem vivido um problema geopolítico, que tem impactado não só o Amazonas, mas o mundo inteiro. Com essa situação da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã, com o fechamento do Estreito de Ormuz, acaba impactando o preço do combustível no mundo inteiro. Mas no Amazonas, ele tem se preparado. Hoje nossas termelétricas são todas termelétricas a gás, vindo de Urucu”. 

Ele ressaltou que essa transição energética acontecerá ao longo dos anos e é importante para descarbonizar e tirar a dependência dos combustíveis fósseis. 

“O gás hoje tem um papel muito importante no processo de transição energética. Não é algo que vai sair de uma hora para outra, é processo. Em busca de uma economia que saia de alta concentração de carbono para geração zero de carbono. E o gás, como um combustível menos poluente, acaba sendo protagonista nesse processo de transição”, afirmou. 

Aproximação da cadeia de Óleo e Gás

O evento é definido como uma plataforma estratégica para o desenvolvimento sustentável da Região Norte e consolidar o Arco Norte como um eixo estratégico do desenvolvimento energético.

Segundo Lamisse Said da Silva Cavalcanti, diretora técnica do Sebrae Amazonas, a iniciativa busca ampliar as oportunidades de negócios e investimentos, impulsionar a inovação nas empresas de óleo, gás e energias renováveis, e fomentar práticas voltadas à sustentabilidade ambiental. 

“Temos aqui parceiros que são importantíssimos nesse contexto, Petrobras, Transpetro, Cigás, e o Sebrae entra com a capacitação e com essa aproximação dos fornecedores de micro e pequeno postos para toda essa cadeia”. 
Ela ressaltou que o evento é realizado há três anos e tem rendido bons negócios para o Amazonas e que esse ano movimentará cerca de R$ 55 milhões em negócios. No ano passado, foram R$ 52 milhões. 

“Temos uma previsão de gerar cerca de R$ 55 milhões em negócios, com mais de 140 reuniões nas rodadas. Já podemos considerar que o evento é internacional, posto que esse ano a Guiana também se faz presente. A transição energética é isso, é essa troca dos combustíveis fósseis por energias mais limpas”, disse.

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