REPERCUSSÃO

Vereadores de oposição criticam falas de David Almeida a instituições públicas

Já a base do prefeito declarou que os parlamentares estão fazendo acusações contra o prefeito sem apresentar provas

Emile de Souza
24/02/2026 às 15:08.
Atualizado em 24/02/2026 às 15:39

(Fotos: Cleuton Silva e Eder França)

Após a prisão da ex-chefe de gabinete Anabela Cardoso Freitas, declarações do prefeito David Almeida, durante o lançamento de sua pré-candidatura ao governo, na segunda-feira (23), repercutiram na Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta terça-feira (24). A oposição afirmou que o prefeito ataca as instituições, enquanto a base aliada sustentou que não há provas de envolvimento da Prefeitura no caso.

 O vereador Coronel Rosses (PL) abriu os discursos afirmando que, por mais de uma vez, o prefeito deu cargos importantes a Anabela Cardoso e que não há argumento plausível para que Almeida se coloque como “vítima de perseguição política”.

“A chefe de gabinete do prefeito, que hoje exerce um alto cargo na comissão de licitação. Comissão de licitação que, no ano passado, nós denunciamos mais de 70 dispensas de licitações por aquisições de serviços irrisórios. Essa mesma comissão, muitas vezes, privilegiou empresas que estavam com maior preço e que estavam com pessoas diretamente ligadas à gestão do prefeito David Almeida”, informou.

Rosses também apontou que outro preso da operação Erga Omnes, o empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, havia recebido recurso público e tinha ligações com o prefeito em sua viagem ao Caribe, em 2025. À época, a defesa do prefeito destacou que as viagens pessoais do prefeito são custeadas com recursos próprios.

Em seguida, o líder do prefeito, Eduardo Alfaia (Avante), afirmou que o prefeito não defendeu o empresário envolvido no caso e que Almeida apenas conhece Queiroga, mas não tem envolvimento.

“Vossa excelência afirma que o prefeito David saiu em defesa do dono da empresa de passagens aéreas e que fez uma defesa clara do dono da empresa. Isso não é verdade. O prefeito, em nenhum momento, fez defesa, até porque não é advogado. Apenas afirmou que o conhece”.

Vereador Eduardo Alfaia (Avante)

 Alfaia também destacou que as acusações feitas por Coronel Rosses sobre Rosinaldo Bual (Agir), com tráfico de drogas, não são comprovadas e que o caso corre em segredo de Justiça.

“Primeiro, vossa excelência diz que há um vereador que tem envolvimento com tráfico de drogas. Acabei de ouvir sua fala pelas redes sociais, queria que vossa excelência informasse como tem essas informações, porque estava sob sigilo, não sei se já saiu o sigilo. Mas não há, até que conste, nenhum envolvimento deste parlamento com tráfico de drogas”, informou.

A liderança do prefeito ressaltou que os alvos são investigados de forma individual e que Rosses não tem provas de supostas transferências de recursos públicos para Alcir Queiroga. “Me comprove a transferência dos cofres públicos de 1 milhão de reais para essa empresa de passagens aéreas”.

Ataque às instituições

A sessão plenária foi marcada inteiramente por discursos contra as declarações de David Almeida. O vereador Rodrigo Sá (PP) destacou que a posição do prefeito foi “um verdadeiro ataque às instituições”.

“Nenhuma operação policial pode prescindir, pode abrir mão, de um parecer do Ministério Público e de uma decisão do judiciário (...) Foi dito que a operação foi uma armação, tão válida quanto nota de 300 reais”, criticou.

Diego Afonso (União) afirmou que, diferente do que estava sendo falado, o prefeito defendeu sua ex-servidora e que ela tinha diversas ligações em cargos diferentes.

Vereador Diego Afonso (União)

 “Foi servidora, colocada diversas vezes pelo prefeito. E ele defendeu, sim, ao final da sua fala, além de ter relatado todos os vencimentos. E ele ainda disse: se precisar, eu ainda pago o advogado”.

O vereador Ivo Neto (PMB) criticou as falas do prefeito, pois, segundo ele, tiram a legitimidade das instituições.

“A Polícia Civil do Nosso estado tem 217 anos de existência e desenvolve um trabalho de muita luta, combatendo a criminalidade, e ela merece o respeito. Quando se ataca um delegado e coloca em cheque a índole da corporação, você descredibiliza o trabalho de uma instituição séria”.

Rodrigo Guedes defendeu que o prefeito se retrate e que responda pelas acusações feitas às instituições e aos políticos.

Vereador Rodrigo Guedes (Progressistas)

 “Ele fala como se todo mundo tivesse errado e ele fosse apenas uma vítima de perseguição política. Então, ele precisa ser ouvido pela justiça. Ele fez acusações ali gravíssimas, e a justiça precisa intimar ele a depor. Por que ele estava falando aquilo? Por que ele falou aquilo? Porque ele não pode acusar a polícia, o Ministério Público, a justiça ou os políticos sem uma prova que demonstre que é apenas uma perseguição política”.

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