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Alerta no AM: casos de vírus respiratórios crescem 17,8% em 2026

Vírus sincicial respiratório (VSR) e adenovírus são os principais responsáveis pelo aumento, afetando principalmente crianças e idosos, diz FVS

Jeyse Xavier
23/03/2026 às 18:40.
Atualizado em 23/03/2026 às 18:40

(Foto: Divulgação)

O monitoramento epidemiológico do vírus respiratórios no Amazonas revela um cenário de alerta para o primeiro trimestre de 2026. Segundo dados atualizados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) até o dia 23 de março, o estado já acumula 1.408 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o que representa um aumento de 17,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Embora o painel indique a Influenza como o principal vírus identificado em termos acumulados (141 casos), as autoridades de saúde observam uma mudança na dinâmica de transmissão. Segundo o Diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-AM, Alexsandro Melo, há um crescimento notável de outros agentes que atingem prioritariamente o público infantil.

"Temos observado o aumento dos casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e Adenovírus, com uma consequente redução nos casos de Influenza. É importante falar disso porque esses dois vírus têm uma predisposição a acometer os extremos de idade, ou seja, crianças e idosos", explica o diretor.

O grupo de menores de 1 ano lidera isoladamente as internações por SRAG no estado, seguido pela faixa de 1 a 4 anos. Para o diretor da FVS, o calendário escolar influenciou diretamente esse índice de contágio.

"Nesse momento de retorno às aulas, tivemos um aumento na transmissão. Pedimos para que os pais, se o bebê ou a criança estiver doente, evitem mandá-los para a escola. Indo para a aula, a criança não só transmite o vírus, como corre o risco de adquirir novas doenças enquanto seu sistema imunológico está combatendo uma infecção viral", alerta Melo

Os principais sintomas registrados nas unidades de saúde são tosse (126 casos), dispneia (110 casos) e febre (108 casos). O painel também destaca o desconforto respiratório em 104 pacientes, sinal que exige atenção imediata. 

"Se a criança apresentar principalmente desconforto respiratório, deve ser levada a uma unidade de saúde para avaliação médica", reforça o diretor.

Apesar do acumulado de 2026 ser superior ao de 2025, a última semana epidemiológica trouxe um dado de que apenas 8 novos casos foram confirmados laboratorialmente, indicando uma desaceleração no ritmo de novas internações após os picos registrados em janeiro e fevereiro.

Para manter a tendência de queda, a FVS destaca que a campanha de vacinação contra a Influenza continua aberta para toda a população do Amazonas até o dia 31 de maio. Além disso, o diretor Alexsandro Melo ressalta duas novas frentes de proteção introduzidas pelo Ministério da Saúde este ano.

“Que é a vacinação para Gestantes. Essa imunização contra o VSR a partir da 28ª semana para proteger a mãe e o bebê nos primeiros meses de vida”, explicou.
E a bebês prematuros. O Anticorpo Monoclonal (Nirsevimab).

 "Diferente da vacina, o anticorpo já entra no sistema pronto para proteger. É importante questionar o pediatra ou neonatologista na maternidade se o seu filho é elegível para essa proteção", orienta.

Dos 1.408, 471 foram confirmados: 54,6% masculino / 45,4% feminino e nas populações Vulneráveis: Etnias Yanomami (5 casos) e Kulina (4 casos) lideram os registros em terras indígenas.

Dentre os fatores de Risco: Doenças cardiovasculares crônicas e diabetes mellitus seguem como as principais comorbidades associadas aos quadros graves.

VACINAÇÃO

A vacinação contra a gripe (Influenza) em Manaus está disponível em mais de 160 salas de vacina, incluindo Unidades Básicas de Saúde (UBSs), de segunda a sexta, com algumas unidades em horário ampliado até às 20h e aos sábados. A oferta para o grupo prioritário já encerrou e está aberto ao público geral. Os endereços e horários de funcionamento podem ser conferidos por meio do link: https://www.manaus.am.gov.br/semsa/wp-content/uploads/sites/8/2026/01/SALAS-DE-VACINA-MANAUS.pdf.

O PERIGO DOS ANTIBIÓTICOS

A farmacêutica Luana Santana alerta que o hábito da automedicação que pode transformar um quadro viral em um risco fatal. Segundo ela, um dos erros mais comuns apontados pela especialista é o uso de antibióticos para tratar sintomas como coriza e congestão nasal. 

"Muitas vezes a síndrome gripal está relacionada a vírus, e não bactérias. O uso inadequado não traz melhora e ainda causa resistência bacteriana. Em uma reinfecção futura por bactéria, o medicamento pode não ter mais efeito", explica Luana.

Além da resistência, o uso de fórmulas desconhecidas pode desencadear processos alérgicos graves e até a morte. A orientação é clara, um farmacêutico está disponível durante todo o horário de funcionamento das farmácias para guiar o paciente.

"Evitar a automedicação é uma forma de cuidado e prevenção. Procure um profissional, seja na farmácia ou na unidade de saúde", finaliza.

CENÁRIO NACIONAL

Na última semana, a Fiocruz divulgou o Boletim InfoGripe referente a semana epidemiológica com dados inseridos no SIVEP-Gripe até o dia 14/03/2026). Os dados mostram um crescimento número de casos de Influenza A no nível nacional, o que, segundo os analistas da Fiocruz, é uma circulação atípica, pois esse vírus costuma ter uma atividade sazonal mais concentrada no outono e no inverno.

Este último boletim também aponta que a tendência de crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) deverá se manter no longo prazo em praticamente todo território nacional.

Considerando os dados, até a primeira semana de março de 2026, foram notificados 20.311 casos de SRAG, desses 7.523 tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório e 2.853 ainda aguardam resultado. Dentre os casos positivos do ano: 41,9% de Rinovírus; 21,8% de Influenza A; 14,7% de SARS-CoV-2 (covid-19); 13,4% de vírus sincicial respiratório; 1,5% de Influenza B.

Foram notificados 1.153 óbitos devido a SRAG em 2026, 440 (36,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório: 37,3% de SARS-CoV-2 (covid-19); 28,6% de Influenza A; 21,8% de Rinovírus; 4,5% de vírus sincicial respiratório; 2,5% de Influenza B.

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