Interrupções da respiração durante o sono podem comprometer o descanso e trazer impactos para a saúde
Na apneia do sono, a respiração é interrompida durante o período de descanso, muitas vezes sem que a pessoa perceba. No dia seguinte, cansaço, sonolência e dificuldade de concentração podem aparecer e afetar a rotina. (Divulgação)
Dormir por várias horas nem sempre significa descansar. Na apneia do sono, a respiração é interrompida durante o período de descanso, muitas vezes sem que a pessoa perceba. No dia seguinte, cansaço, sonolência e dificuldade de concentração podem aparecer e afetar a rotina.
A dentista Tatiana Suky, especialista em Reabilitação Oral e com capacitação em Odontologia do Sono, explica como o distúrbio acontece, os sinais que podem indicar o problema e os impactos para a saúde quando ele não é tratado.
A apneia é um distúrbio em que a respiração para ou fica muito superficial enquanto a pessoa dorme. Segundo Tatiana, a forma mais comum é a apneia obstrutiva, quando o relaxamento da musculatura da garganta interfere na passagem do ar.
Esses episódios podem passar despercebidos, já que os despertares provocados pela falta de ar são muito rápidos. “O oxigênio no sangue cai, o cérebro percebe o problema e provoca um microdespertar para a pessoa voltar a respirar. Muitas vezes ela não se lembra disso. O resultado é um sono fragmentado, pouco reparador, mesmo que a pessoa ‘tenha dormido’ várias horas”.
Algumas manifestações acontecem enquanto a pessoa dorme e podem ser percebidas por quem está por perto. “Durante a noite, vale prestar atenção em: pausas na respiração observadas por quem dorme ao lado; engasgos, ofegância ou sensação de sufocamento; sono agitado, muitos despertares; necessidade frequente de urinar; boca seca ou dor de garganta ao acordar”.
Já durante o dia, os sintomas podem aparecer de outras formas e interferir na rotina. “No dia seguinte: cansaço ou sonolência mesmo após uma noite ‘longa’; dor de cabeça matinal; dificuldade de concentração e memória; irritabilidade, humor instável; queda de rendimento no trabalho ou nos estudos; em alguns casos, redução da libido”.
Sem tratamento, a apneia pode afetar a saúde de diferentes formas. “A apneia não tratada não é ‘só ronco’. A fragmentação do sono e a queda repetida de oxigênio sobrecarregam o organismo. Na saúde: aumento do risco de hipertensão, inclusive a de difícil controle; arritmias, especialmente fibrilação atrial; maior risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca; associação com diabetes tipo 2 e síndrome metabólica; piora de concentração, memória e humor, com mais ansiedade e depressão”.
Entre as opções de tratamento para casos selecionados está o aparelho intraoral, que atua no posicionamento da mandíbula para favorecer a passagem do ar.
A indicação deve ser feita após avaliação profissional, considerando as características e a necessidade de cada paciente.