Saúde da Mulher

Especialistas debatem dados sobre a saúde da mulher

Especialistas se reuniram em São Paulo na última segunda-feira para debater dados sobre a saúde ginecológica da mulher e pesquisa sobre o câncer de colo de útero 

Luyza Rodrigues
30/08/2026 às 18:20.
Atualizado em 30/08/2026 às 18:21

Criada pelo Grupo EVA em 2021, a campanha Setembro Flor amplia o olhar para a saúde feminina ao chamar atenção para os cinco principais tipos de tumores ginecológicos: colo do útero, corpo do útero (endométrio), ovário, vulva e vagina. (Divulgação)

doenças que começam muito antes de apresentarem qualquer sinal. No caso do câncer do colo do útero, essa história pode estar ligada a um vírus conhecido por muitas pessoas, mas ainda cercado de dúvidas: o HPV. A falta de informação e de percepção sobre os riscos contribui para que a doença continue sendo um importante problema de saúde pública e uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres no Brasil.

Segundo uma pesquisa conduzida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), em parceria com o Instituto Locomotiva, em 2026, apesar do aumento no acesso à informação, 61% das brasileiras não realizaram o exame de Papanicolau no último ano e 34% não se consideram parte do grupo de risco para o câncer do colo do útero. Os números revelam um contraste entre conhecer a doença e, de fato, incorporar a prevenção à rotina.

Para a Dra. Andrea Gadelha, presidente do Grupo EVA, o tabu em torno do HPV, está relacionado principalmente por se tratar de uma infecção sexualmente transmissível

 Para a Dra. Andrea Gadelha, presidente do Grupo EVA, parte desse cenário ainda está relacionada ao tabu em torno do HPV, principalmente por se tratar de uma infecção sexualmente transmissível.

“Sexo faz parte da vida de qualquer um de nós e a gente não pode deixar de falar sobre ele. Como eu já coloquei, 80% das mulheres sexualmente ativas, em algum momento, vão se infectar pelo HPV. Então, ele é extremamente frequente e a gente precisa falar. E nem todas vão desenvolver câncer. A questão do julgamento de achar que o fato de ter um HPV significa promiscuidade, algo desse tipo, não tem nada disso. Às vezes, o HPV é contraído através de uma única relação. Pode ter ocorrido lá no passado e, por algum motivo, aquela mulher ou aquele homem estar passando por um processo de estresse ou imunossupressão, levando à reativação do vírus”, explica.

Os resultados da pesquisa também chamaram a atenção para uma diferença entre ter acesso à informação e transformar esse conhecimento em atitudes de prevenção. Carolina Tonussi, gerente de pesquisa do Instituto Locomotiva, que atua há mais de 15 anos com pesquisas de mercado e insights para diferentes setores e públicos, acompanhou esse contraste ao analisar os dados.

“Eu ia olhando os resultados da pesquisa e vendo: aumentou um pouquinho. Na esperança, aumenta um pouquinho, isso, torcida, vou chegar lá. E eu acho que o alerta que a pesquisa trouxe de que as mulheres não se enxergam como grupo de risco é o que faz com que o cenário não mude muito. E aí entra o tabu, entra a falta de conversa, entram tantas questões que fazem com que a gente não se enxergue ainda como grupo de risco, que essas conversas não sejam naturais. Essa falta de percepção mostra essa diferença entre estar um pouco mais informada e realmente ter uma adesão às práticas preventivas.”

Para a Dra. Adriana Arias, especialista pela AMB/ANAMT e mestranda em Saúde Coletiva com foco em Epidemiologia pela Unicamp, a mobilização em torno de doenças como o câncer de mama e o câncer de próstata já demonstra como as campanhas podem ser incorporadas pelas empresas e o mesmo movimento precisa alcançar os tumores ginecológicos.

CAMPANHA

 Criada pelo Grupo EVA em 2021, a campanha Setembro Flor amplia o olhar para a saúde feminina ao chamar atenção para os cinco principais tipos de tumores ginecológicos: colo do útero, corpo do útero (endométrio), ovário, vulva e vagina. O movimento busca combater a desinformação, incentivar o cuidado integral com a saúde da mulher e mobilizar a sociedade e o poder público em torno da prevenção e do diagnóstico precoce.

A discussão também ultrapassa os consultórios e chega ao ambiente de trabalho, onde campanhas de conscientização podem ajudar a aproximar a prevenção da rotina das mulheres. Para a Dra. Adriana Arias, especialista pela AMB/ANAMT e mestranda em Saúde Coletiva com foco em Epidemiologia pela Unicamp, a mobilização em torno de doenças como o câncer de mama e o câncer de próstata já demonstra como as campanhas podem ser incorporadas pelas empresas e o mesmo movimento precisa alcançar os tumores ginecológicos.

Carolina Tonussi, gerente de pesquisa do Instituto Locomotiva, que atua há mais de 15 anos com pesquisas de mercado e insights para diferentes setores e públicos, acompanhou esse contraste ao analisar os dados.

“Câncer de próstata e câncer de mama já são muito bem vinculados, principalmente dentro das empresas, quando a gente fala da saúde dos trabalhadores. O Outubro Rosa e o Novembro Azul, não só no Brasil, mas também fora dele, acabam sendo utilizados pelas empresas para estimular a prevenção. Mas hoje o câncer do colo do útero é um dos que mais mata mulheres até os 35 anos. Então, quando falamos de força de trabalho, a empresa precisa pensar que quer um trabalhador saudável, ativo, que produz e não precise se afastar. Por isso, as empresas vão buscar soluções e ações, como a vacinação, para que os trabalhadores estejam bem. É isso que a gente precisa fazer: prevenir o adoecimento e, consequentemente, prevenir o afastamento dessas mulheres”, afirma.

 *A jornalista viajou a convite do evento

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