No Dia Internacional da Mulher, especialistas explicam como os hormônios influenciam humor, energia, sono e bem-estar na vida feminina
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Oscilações de humor, cansaço persistente, alterações no sono e mudanças na libido são queixas comuns entre mulheres de diferentes idades. Muitas vezes, esses sinais são tratados como efeitos naturais da rotina ou do estresse. No entanto, especialistas alertam que, por trás de vários desses sintomas, pode haver algo mais profundo: o funcionamento do sistema hormonal.
No corpo feminino, os hormônios atuam como verdadeiros mensageiros químicos que regulam desde o metabolismo até o equilíbrio emocional. Por isso, compreender como eles funcionam é uma forma de ampliar o cuidado com a saúde. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), médicos reforçam a importância de olhar com atenção para essas pequenas pistas que o organismo oferece.
Os hormônios não atuam isoladamente. Eles fazem parte de um complexo sistema neuroendócrino que conecta corpo e mente, influenciando comportamento, cognição, metabolismo e resposta ao estresse.
Segundo especialistas, o equilíbrio hormonal pode ser afetado por diversos fatores, como alimentação inadequada, privação de sono, excesso de estresse e sedentarismo. Por isso, hábitos de vida saudáveis continuam sendo um dos pilares da prevenção.
Entre as diversas substâncias produzidas pelo organismo, alguns hormônios têm impacto direto na saúde feminina.
O estrogênio, por exemplo, é um dos principais hormônios da mulher e participa da regulação do ciclo menstrual, da saúde óssea, da pele e até do humor. Alterações em seus níveis podem provocar irritabilidade, distúrbios do sono e falhas de memória, especialmente em fases de transição hormonal como o climatério.
A progesterona também desempenha papel importante no equilíbrio emocional e na qualidade do sono. Quando está baixa, pode contribuir para sintomas de ansiedade, insônia e tensão pré-menstrual mais intensa.
Outro hormônio central é o cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. Em níveis adequados, ele ajuda o organismo a reagir a situações desafiadoras. No entanto, quando permanece elevado por muito tempo, pode favorecer ganho de peso abdominal, fadiga persistente e dificuldades cognitivas.
Já a insulina é responsável por regular a glicose no sangue e está diretamente ligada ao metabolismo energético. A resistência à insulina — cada vez mais comum — pode influenciar o peso corporal e aumentar o risco de doenças metabólicas.
Por fim, os hormônios tireoidianos (T3 e T4) regulam o metabolismo e o funcionamento do cérebro. Disfunções na tireoide são mais frequentes em mulheres e podem causar cansaço excessivo, queda de cabelo, variações de peso e alterações de humor.
A relação entre hormônios e saúde mental também tem sido cada vez mais estudada. Dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, indicam que 14% das mulheres brasileiras já receberam diagnóstico de depressão — percentual superior ao observado entre os homens.
Alterações hormonais podem estar entre os fatores que contribuem para esse cenário. A psiquiatra Danielle H. Admoni destaca que muitas vezes os sintomas emocionais são tratados sem que se investigue a origem hormonal.
Outro hormônio frequentemente associado apenas aos homens também tem papel relevante no organismo feminino: a testosterona.
Segundo a médica, a reposição hormonal pode trazer benefícios quando indicada corretamente, como melhora da energia, da concentração e da autoestima. O tratamento, no entanto, deve sempre ser feito com acompanhamento médico e monitoramento laboratorial.